Comunidades nordestinas apresentam soluções climáticas inovadoras no Recife

Comunidades nordestinas apresentam soluções climáticas para enfrentar a escassez de água e produzir de forma sustentável.

3 min

Agricultora exibe um jerimum que brota no seu quintal, em Triunfo (PE), no Sertão | Foto: Reprodução

O aumento da temperatura global levanta questões sobre a sobrevivência humana nas cidades e comunidades; especialmente quanto ao acesso à água potável e à capacidade produtiva dos alimentos.

Neste cenário de elevação climática que afeta até mesmo países europeus com ondas de calor recorrentes, 30 milhões de brasileiros vivem o desafio diário. No semiárido nordestino é possível ver como essas pessoas criam formas adaptadas para viver e produzir diante do clima quente e constante escassez hídrica no Nordeste brasileiro.

A Caatinga: aprendizado mundial em Pernambuco

É justamente essa resiliência local que está sendo levada a público na segunda edição da Semana do Clima da Caatinga. O evento reúne centenas de participantes no Recife (PE) para mostrar soluções desenvolvidas nas comunidades rurais do interior do Nordeste.

As atividades começaram nesta quarta-feira (1º), com debates ao longo do dia no Museu Cais do Sertão. Carlos Magno, coordenador do Centro Sabiá e colunista do Brasil de Fato, explicou o objetivo principal: romper com os modelos tradicionais apresentados pelos países do chamado “Norte Global”.

Desafiando narrativas climáticas globais

“Muitas semanas sobre clima pelo mundo se afastam dos territórios reais”, pontuou ele durante uma entrevista para a Rádio Brasil de Fato.

Segundo Carlos Magno, é fundamental reconhecer que as melhores soluções estão nas próprias comunidades, nos povos afetados pelas mudanças. São essas populações que construíram, ao longo do tempo, respostas práticas para as questões ambientais e hídricas.

Além disso, o evento busca reforçar um aspecto muitas vezes negligenciado no debate ambiental brasileiro: a importância da Caatinga como bioma climático. Um especialista apontou dados mostrando que este ecossistema possui excelente desempenho na captura de gases do efeito estufa, especialmente quando há períodos chuvosos.

Leia também

O potencial não visto pela mídia

Apesar desse papel importante, Carlos Magno lamenta os “falsos estigmas” associados à região e ao seu povo. Ele critica veementemente uma narrativa midiática histórica ligando o semiárido apenas à pobreza ou sofrimento constante no Brasil inteiro.

“É hora de falarmos menos dos problemas”, defendeu ele em Pernambuco; é preciso focar mais na criatividade, inovação econômica, geração de renda e resiliência climática que nascem diretamente nos territórios das comunidades.”

Imersão territorial: experiências rurais

Vivências adaptadas do Agreste pernambucano

A imersão não se limita ao Recife. Na quinta (dia 2) e sexta-feira (dia 3), os participantes seguirão para o agreste estadual.

Lá será possível conhecer diversas práticas sustentáveis em convivência com clima semiárido. Entre as visitas estão quintais produtivos de uma comunidade quilombola, na região de Garanhuns, e a relação entre fé e natureza vivida pelo povo indígena Xukuru do Ororubá.

Produção local como pilar da resiliência climática

Em Vertentes serão vistas hortas agroflorestadas que demonstram técnicas agrícolas adaptativas ao bioma Caatinga. Outros pontos incluem Jucati, onde se preservará o conhecimento sobre sementes crioulas.

As famílias rurais também apresentarão outras formas de adaptação, de projetos em Jataúba para recuperar nascentes até as lutas por subsistência e contra os aerogeradores na comunidade de Caetés.

Foco no artesanato e apicultura

Na sexta-feira (dia 3), a programação terá um foco maior nos produtos locais gerados pelas mãos da população. As experiências incluem atividades práticas como apicultura, além do cultivo diversificado que sustenta várias famílias.

As comunidades rurais também vão expor sua produção têxtil artesanal em Caruaru (PE), reforçando o tema central, “A Caatinga falando para o mundo”, do evento promovido pelo Centro Sabiá com o Instituto Socioambiental.

Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido.

A Redação Clique Fatos assina a cobertura geral do portal. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de fontes identificadas (órgãos oficiais, agências e veículos de imprensa) e passam por checagens automáticas antes de publicar. Encontrou um erro? Escreva para conteudo@cliquefatos.com.br.