Cirurgião é condenado a indenizar paciente que perdeu visão após lipoaspiração em SP
Cirurgião plástico é responsabilizado por negligência em procedimento que resultou na perda de visão de paciente, impactando sua vida pessoal e profissional.
Um cirurgião plástico foi condenado a indenizar uma paciente que perdeu a visão após se submeter a uma lipoaspiração em São Paulo. A decisão, proferida pela 7ª Vara Cível da capital paulista, ocorreu no final de julho. O juiz apontou negligência e omissão do médico Renato Tatagiba Garcia durante o procedimento.
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Após o procedimento, ela sofreu perda total da visão do olho esquerdo e dois terços da visão do olho direito.
Como resultado dessa condição, Shirin foi demitida de um emprego que ocupava há quase 20 anos, incapaz de ler e escrever.
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Indenizações e decisão judicial
A Justiça considerou parcialmente procedente a ação, que solicitava R 1.480.892,50 em indenizações. O médico deverá pagar R 162,1 mil (equivalente a 100 salários mínimos) por danos morais e R 65,4 mil por danos materiais. Além disso, ele terá que arcar com uma pensão mensal vitalícia no valor de três salários mínimos (cerca de R 5 mil), que começará a contar desde a data da cirurgia e será atualizada conforme o salário mínimo vigente.
O hospital St. Peter foi absolvido na sentença e Shirin terá que arcar com as custas processuais e os honorários advocatícios da instituição. Este caso já dura mais de cinco anos e trouxe à tona questões sobre a responsabilidade médica.
Detalhes da complicação pós – operatória
De acordo com a sentença, Shirin não apresentava comorbidades antes da cirurgia. No dia seguinte ao procedimento, ela relatou ao médico sintomas como tontura e olhos arroxeados, mas não recebeu uma avaliação adequada; Renato apenas disse que era normal.
Além disso, ela recebeu alta hospitalar sem orientações pós – operatórias ou avaliações clínicas.
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Dois dias após a cirurgia, Shirin começou a perder a visão do olho esquerdo e não conseguiu entrar em contato com o Dr. Renato. Ao tentar buscar ajuda na Clínica Femme — onde ele é sócio — foi informada de que seus sintomas não estavam relacionados à cirurgia.
Após perder totalmente a visão do olho esquerdo, consultou um neurologista que levantou a hipótese de anemia aguda pós – cirúrgica.
Em um hospital, foi constatado que durante o procedimento ela perdeu cerca de 60% do sangue. A anemia resultante levou à isquemia do nervo óptico, uma condição irreversível segundo especialistas ouvidos durante o processo. Uma semana após a cirurgia e depois de nova internação devido à anemia, Shirin recebeu alta médica com confirmação da perda quase total da visão no olho direito.
Contestações e alegações das partes envolvidas
No decorrer do processo judicial, o Saint Peter Hospital alegou sua ilegitimidade passiva afirmando que nem o anestesista nem outros membros da equipe tinham vínculo com a instituição; apenas alugaram o centro cirúrgico para realizar o procedimento.
Por sua vez, Renato Tatagiba defendeu – se afirmando ter esclarecido os riscos associados ao procedimento e utilizado técnica adequada. Ele argumentou ainda que as complicações foram imprevisíveis e inevitáveis.
No entanto, o juiz Sang Duk Kim afirmou que as evidências demonstraram que houve falha na conduta médica do réu. “A perícia concluiu que o médico não observou o padrão técnico esperado”, destacou o magistrado na sentença.
Pontos finais e próximos passos
A decisão pode ser recorrida no Tribunal de Justiça de São Paulo. O advogado de Shirin, Paulo Mariano Jr., informou à CNN Brasil que pretende recorrer para aumentar o valor da indenização e incluir também a condenação do hospital.
“Apesar do avanço representado pela sentença, entendemos que o valor fixado não reflete adequadamente os danos suportados pela autora”, afirmou Mariano Jr., enfatizando ainda que existem evidências para responsabilizar o hospital pelo ocorrido.
A defesa do médico também anunciou sua intenção de recorrer da decisão judicial. Em nota oficial, declarou estar confiante na revisão dos fatos pelo tribunal: “O Dr. Renato Tatagiba sempre pautou sua atuação profissional pela ética e responsabilidade”, afirma a defesa enquanto aguarda os desdobramentos no TJSP.