Cientistas revelam segredo surpreendente sobre como abelhas se tornam rainhas; entenda a descoberta

nova pesquisa revela que a transformação de abelhas em rainhas vai além da dieta, envolvendo também a construção de câmaras larvais especiais. Quais são os

10/06/2026 22:36

4 min

Cientistas revelam segredo surpreendente sobre como abelhas se tornam rainhas; entenda a descoberta
(Imagem de reprodução da internet).

Como as Abelhas se Tornam Rainhas

As rainhas das abelhas se desenvolvem a partir dos mesmos óvulos fertilizados que dão origem às abelhas operárias. Mas como uma abelha se transforma em rainha, assumindo a função de única reprodutora da colônia, em vez de se tornar apenas mais uma operária?

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Até o momento, os cientistas acreditavam que essa transformação ocorria exclusivamente devido a uma dieta especial. No entanto, novas investigações revelam que um fator adicional é fundamental: a natureza da câmara de cera construída para a futura rainha pelas abelhas operárias, todas fêmeas.

Embora as operárias forneçam à futura rainha uma substância nutritiva chamada geleia real, que elas secretam, a câmara larval que constroem para ela apresenta características físicas e químicas únicas. “Uma dieta real não significa nada sem um palácio real”, afirmou Kai Wang, cientista do Instituto de Pesquisa Apícola da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas e um dos líderes do estudo publicado na revista Nature.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Características das Câmaras de Rainha

A maior parte da câmara é feita de cera secretada pelas operárias, moldada em células hexagonais organizadas, onde algumas células armazenam alimento e outras são destinadas à criação das larvas. Contudo, as colônias também constroem um terceiro tipo de câmara para as futuras rainhas, que se assemelha a cascas de amendoim e fica pendurada nos favos.

Historicamente, essas câmaras eram vistas por apicultores como sinais de enxameação ou substituição da rainha, sendo frequentemente consideradas recipientes passivos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Nosso estudo demonstra que, na verdade, trata-se de uma ‘incubadora inteligente’ ativa e altamente sofisticada”, explicou Wang. O foco da pesquisa foi em uma espécie conhecida como abelha-europeia. Os pesquisadores descobriram que a câmara construída para a futura rainha proporciona um conjunto de condições físicas e químicas que podem influenciar o desenvolvimento da larva em direção a uma forma mais nobre.

O Papel da Cera e da Temperatura

A cera utilizada é mais macia, derrete a temperaturas mais elevadas e libera um “perfume” químico distinto. As paredes mais suaves podem permitir que a larva em crescimento se expanda, enquanto os aromas podem atuar como gatilhos hormonais. Mesmo com a presença de geleia real, as larvas expostas à cera das células operárias apresentaram um desenvolvimento inferior e uma mortalidade significativamente maior, indicando que elas necessitam do “cheiro e da textura” da geleia real para sobreviver e se transformar.

Os pesquisadores também observaram que as abelhas responsáveis pela construção das realeiras apresentavam temperaturas torácicas excepcionalmente altas e uma atividade genética diferenciada. “Para moldar essa cera especial de alto ponto de fusão, essas abelhas jovens precisam transformar seus corpos em pequenos ‘fornos vivos’, aquecendo seus tórax a mais de 39 graus Celsius, como se estivessem com febre”, comentou Wang.

Leia também

Implicações das Descobertas

Wang ressaltou que essas abelhas não são uma casta permanentemente especializada, mas sim “operárias jovens comuns e flexíveis” que assumem um trabalho emergencial temporário, com alterações de curto prazo na expressão gênica que as ajudam a processar a cera.

Ele as descreveu como “multitarefas definitivas”, pois, enquanto constroem realeiras, continuam a realizar atividades cotidianas da colmeia, como compartilhar alimento e inspecionar outras células.

O que mais surpreendeu Wang foi que o “dogma profundamente enraizado” do determinismo nutricional — a ideia de que alimentar uma larva com geleia real é o único segredo para criar uma rainha — estava incompleto. O estudo ainda não identificou o aspecto exato da cera em questão, mas Wang destacou que o próximo passo é descobrir o interruptor molecular: “Qual odor químico específico ou toque físico realmente diz ao DNA da larva da rainha: ‘Você é a rainha’.”

Possíveis Aplicações Futuras

Wang também mencionou que efeitos semelhantes podem ser observados em outras espécies, como cupinzeiros e ninhos de papel de vespas, que podem ter funções semelhantes em relação ao desenvolvimento de seus ocupantes. Além da biologia, as descobertas podem auxiliar os apicultores na criação de rainhas mais saudáveis, conforme apontou Boris Baer, professor de saúde de polinizadores da Universidade da Califórnia, Riverside, e um dos líderes do estudo.

A produção de rainhas é essencial para a apicultura moderna, e rainhas saudáveis são fundamentais para manter colônias saudáveis. As abelhas melíferas manejadas polinizam mais de 80 culturas agrícolas importantes, e uma melhor compreensão de como as colônias produzem naturalmente rainhas de alta qualidade pode ajudar a sustentar populações de abelhas mais resilientes, especialmente em um momento em que apicultores nos Estados Unidos e em outras regiões estão enfrentando perdas significativas de colônias.

Para Wang, as descobertas reforçam a ideia de que a colônia é um “superorganismo”, onde as abelhas moldam coletivamente uma larva comum para se tornar sua futura mãe. Como ele mesmo disse: “Comer bem é importante, mas viver no lar perfeito é o que realmente muda o seu destino.”

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ative nossas Notificações

Ative nossas Notificações

Fique por dentro das últimas notícias em tempo real!