Cientistas revelam cemitério de baleias no Oceano Índico e descobrem espécie desconhecida

Cientistas Descobrem Cemitério de Baleias no Oceano Índico
Pesquisadores que recentemente exploraram uma área remota no sudeste do Oceano Índico identificaram um dos maiores e mais profundos cemitérios de baleias, contendo centenas de fósseis, incluindo um de uma espécie até então desconhecida. No entanto, nem tudo nessa necrópole submarina está inerte.
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A dezenas de milhares de metros abaixo da superfície, baleias mortas ou moribundas foram levadas pela correnteza até esse vasto cemitério, onde seus ossos se misturam em uma área de aproximadamente 1.200 quilômetros de extensão.
Ao lado dos fósseis mais antigos, encontram-se esqueletos modernos, indicando que os restos de baleias têm permanecido nesse local continuamente por pelo menos 5 milhões de anos, com base na idade dos fósseis, conforme relataram os pesquisadores na revista Nature.
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A maioria dos restos mortais pertence a baleias-de-bico, que possuem crânios afinados em focinhos delgados, semelhantes aos dos golfinhos. Essas baleias mergulham em grandes profundidades e passam pouco tempo na superfície, o que as torna raramente avistadas e pouco conhecidas em relação aos seus hábitos.
Importância das Carcaças de Baleias
Pesquisadores observaram alguns cadáveres de baleias afundadas, recentes o suficiente para ainda apresentarem organismos necrófagos aderidos a eles. Conhecidas como carcaças de baleias, esses corpos sustentam diversas comunidades de vida marinha, incluindo vermes comedores de ossos, caracóis, estrelas-do-mar e bivalves que sobrevivem por meio da quimiossíntese, utilizando energia química para produzir seu alimento.
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Muitas dessas espécies podem ser novas para a ciência, conforme relataram os autores do estudo.
“Até agora, as mortes de baleias eram baseadas principalmente em carcaças de grandes cetáceos, sobretudo baleias-de-barbatana”, afirmou Olivier Lambert, do Instituto Real Belga de Ciências Naturais em Bruxelas. “Aqui, os autores mostram que carcaças de baleias-de-bico podem desempenhar um papel semelhante em algumas regiões oceânicas profundas específicas.” Lambert também destacou que, embora a acumulação de um cemitério de ossos de baleia ao longo de milhões de anos não seja surpreendente, a descoberta ainda é impressionante.
Descoberta na Zona de Fratura de Diamantina
Paleontólogos encontraram o cemitério na Zona de Fratura de Diamantina, uma área de dorsais e fossas marinhas a sudoeste da Austrália. Essa região se formou entre 30 e 40 milhões de anos atrás, durante a separação dos continentes australiano e antártico, atingindo profundidades de cerca de 5.000 a 7.000 metros abaixo do nível do mar. “Embora este seja um cemitério de baleias verdadeiramente gigantesco, chegar até ele é extremamente difícil devido à grande profundidade”, comentou Peng Zhou, coautor principal do estudo e pesquisador do Instituto de Ciência e Engenharia de Águas Profundas da Academia Chinesa de Ciências.
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A expedição fez parte do Programa Global de Exploração da Fossa Hadal, uma colaboração internacional para explorar áreas menos conhecidas nas partes mais profundas dos oceanos. Zhou destacou que, ao observar o local pela primeira vez, todos ficaram surpresos.
A equipe utilizou o submersível Fendouzhe, que já havia visitado o fundo da Fossa das Marianas em 2020, para capturar imagens da necrópole e coletar fósseis e animais necrófagos.
Densidade e Variedade de Fósseis
Os cientistas ficaram impressionados com a densidade dos fósseis e a continuidade de sua distribuição, com algumas áreas contendo cerca de 760 restos por quilômetro quadrado, um número muito superior ao documentado anteriormente em locais semelhantes. “Segundo nossas estimativas, existem mais de 10 milhões de restos de baleias no fundo do oceano desta fossa”, afirmou Zhou.
Além disso, os pesquisadores realizaram 32 mergulhos entre fevereiro e março de 2023, encontrando 485 depósitos de fósseis de baleias e cinco carcaças de baleias modernas.
Os necrófagos eram abundantes nos restos mais recentes, com uma carcaça de baleia abrigando até 2.840 organismos em um único metro quadrado. Uma das carcaças modernas foi identificada como sendo de uma baleia-minke, enquanto restos de outra espécie moderna, a baleia-de-bico-de-Andrew, estavam próximos a fósseis de um gênero extinto chamado Pterocetus.
Os fósseis mais antigos, pertencentes a Pterocetus benguelae, tinham 5,3 milhões de anos.
Topografia e Evolução das Baleias-de-Bico
Sobre a razão pela qual tantos cadáveres de baleias-de-bico se acumularam nesse trecho específico do fundo do mar, Xikun Song, professor do IDSSE e coautor principal do estudo, explicou que a topografia em forma de V da Zona Diamantina pode ser um fator. “A área serve como habitat ou corredor migratório para cetáceos”, disse Song.
As baleias-de-bico mergulham em grandes profundidades, mas ao ultrapassarem os 3.000 metros, podem atingir seu limite, aumentando o risco de exaustão fatal ou doença descompressiva.
Com o tempo, minerais de águas profundas formam crostas nos ossos, preservando-os como fósseis. Outra descoberta inesperada foi um crânio parcial de uma espécie desconhecida, denominada Pterocetus diamantinae. Embora a idade do fóssil ainda não tenha sido determinada, sua descoberta contribui para a documentação da história evolutiva do grupo, mostrando que baleias-de-bico altamente especializadas já existiam na época em que esses fósseis foram depositados.
Autor(a):
Lucas Almeida
Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.



