Cientistas da Universidade da Pensilvânia identificam neurônios que regulam a dor crônica no cérebro

A descoberta dos neurônios Y1R abre novas possibilidades para tratamentos mais eficazes da dor crônica, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.

23/08/2026 03:50

3 min

Neurônios no tronco cerebral ligados à fome, medo e sede podem desligar temporariamente a dor
Neurônios no tronco cerebral ligados à fome, medo e sede podem d...

A dor crônica, uma das doenças mais incapacitantes do mundo, afeta cerca de 10% da população global, com estimativas que podem chegar a 25% dependendo dos critérios utilizados para diagnóstico. Essa condição é caracterizada por uma dor persistente que ultrapassa o tempo normal de cicatrização dos tecidos e se mantém por mais de três meses.

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Ao contrário da dor aguda, que serve como um alerta do corpo e dura no máximo 30 dias, a dor crônica não desaparece com a cura da causa subjacente e muitas vezes não apresenta uma razão clara para sua ocorrência.

Considerada uma das principais causas de incapacidade, a dor crônica impacta diretamente as emoções, o sono, a cognição, a motivação e as relações sociais. A complexidade desse quadro se deve ao fato de que a rede cerebral envolvida nesses estados de dor prolongada ainda não havia sido completamente mapeada.

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Descoberta sobre neurônios que regulam a dor

Uma equipe internacional de cientistas liderada por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (UPenn), nos EUA, fez uma descoberta significativa. Eles identificaram que os neurônios Y1R, presentes em uma região específica do tronco cerebral chamada núcleo parabraquial lateral (lPBN), atuam como uma “central de controle” que regula a dor persistente.

Embora esses neurônios sejam bastante variados em formato, posição e conexões, todos expressam o receptor Y 1, que se liga ao neuropeptídeo Y (NPY), uma molécula mensageira relacionada a funções como apetite, estresse e modulação da dor.

O líder da pesquisa, J. Nicholas Betley, compartilhou suas observações: “Por experiência própria, senti que, quando você está com muita fome, faz quase qualquer coisa para conseguir comida. Quando se trata de dor crônica e persistente…”.

Para analisar a atividade neuronal em tempo real em modelos pré – clínicos com ratos de laboratório, os pesquisadores utilizaram uma técnica que detecta flutuações de cálcio dentro dos neurônios. Isso permitiu observar o cérebro em funcionamento quando um neurônio ativa um impulso elétrico.

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A equipe constatou que os neurônios Y1R não apenas se ativavam durante episódios de dor aguda — provocados por estímulos rápidos como injeção de formalina ou calor — mas também durante episódios de dor crônica induzida por inflamação ou secção parcial do nervo ciático.

Durante essas análises comparativas entre respostas imediatas e prolongadas à dor, os pesquisadores perceberam que na dor aguda os Y1R disparam somente durante o estímulo doloroso; já na dor crônica, sua atividade persiste mesmo após a lesão inicial ter sido tratada.

Mecanismos de resposta à fome e medo

Outra descoberta importante do estudo foi que os receptores Y 1 no tronco cerebral têm um papel crucial na redução da dor crônica quando o indivíduo enfrenta situações de fome ou medo iminente. Isso revela um mecanismo cerebral voltado para priorizar a sobrevivência: em momentos críticos como esses, o cérebro parece desativar automaticamente a percepção da dor crônica.

Durante essas situações extremas, áreas do cérebro liberam o neuropeptídeo Y que inibe os neurônios Y1R. Essa ação diminui a transmissão dos sinais dolorosos e representa uma estratégia evolutiva inteligente; quando alguém está extremamente faminto, é vital buscar comida sem ser paralisado pela dor.

Da mesma forma, em situações de perigo imediato — como um ataque predatório — sentir dores poderia prejudicar as reações defensivas necessárias.

Segundo Betley, muitos pacientes continuam sentindo dores mesmo sem uma lesão aparente. Ele afirma: “O problema pode não estar nos nervos no local da lesão, mas no próprio circuito cerebral”. O neurocientista sugere que direcionar tratamentos para esses neurônios pode abrir novas possibilidades terapêuticas.

A plasticidade dos circuitos dos neurônios Y1R indica que o futuro do tratamento pode ir além das soluções medicamentosas tradicionais.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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