Chuvas recordezes ameaçam cafeína cara nos EUA

Chuvas intensificam perdas nas plantações brasileiras e elevam risco de aumento nos preços globais de cafeína.

Starbucks

As chuvas intensas que atingiram as principais regiões produtoras de café do Brasil ameaçam não apenas o volume da colheita, mas principalmente sua qualidade. Grandes marcas como Starbucks, Lavazza e Illy podem enfrentar dificuldades para garantir seu fornecimento regular por conta dos grãos arábica premium.

O problema se agrava mesmo com boas expectativas climáticas em alguns momentos; um excesso hídrico durante os períodos críticos fez com que parte do café caísse no solo encharcado.

Impactos das chuvas nas regiões produtoras

A Minas Gerais é uma área particularmente afetada pelo clima adverso neste ciclo colhedor. Simão de Lima, presidente da cooperativa Expocacer e falante à *Bloomberg*, informou sobre perdas significativas: cerca de 20% dos frutos foram derrubados pelas precipitações; esse número está muito acima da média histórica esperada entre cinco e sete por cento em um ano normal.

O cenário complicado persistiu até julho com novas ondas chuvosas atingindo o setor cafeeiro do país. Alguns produtores tiveram que reiniciar processos importantes para controle das características essenciais ao sabor e aroma desejado no arábica brasileiro.

Em algumas áreas produtoras, os dados meteorológicos apontam volumes pluviométricos alarmantes — chegando a multiplicar por até cinco vezes o nível usual durante junho e julho —, dificultando ainda mais aos fazendeiros manterem sob controle adequado tanto a umidade quanto as qualidades dos grãos colhidos.

Pressão sobre mercados internacionais

O Brasil detém uma posição crucial na economia global: é responsável pelos cerca de 45% da produção mundial do café Arábica. Por isso, qualquer problema de qualidade em nossa safra pode gerar repercussões imediatas no mercado internacional, especialmente entre compradores que buscam lotes considerados os melhores ou “mais sofisticados”.

A preocupação com estoques apertados já era alta antes mesmo das chuvas recentes; contratos futuros para o arábica registraram altas acumuladas próximas a 35 por cento desde junho e estão sendo negociados ainda com um prêmio adicional de até US 0,15 por libra comparado aos valores dos contratos futuros exibidos pela Bolsa de Nova York.

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Os níveis nos armazéns da Intercontinental Exchange (ICE), referência global do setor, também se aproximaram dos menores patamares registrados neste século. A menor entrada possível desses cafés altamente qualificados pode dificultar muito mais qualquer tentativa futura de recompor os estoque certificados em grande escala no mercado mundial.

O paradoxo entre produção alta e qualidade baixa

A situação atual apresenta uma contradição para o comércio brasileiro: embora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) preveja um excedente global estimado na temporada que começa em outubro — totalizando cerca de 10 milhões de sacas —, isso não garante automaticamente maior oferta premium nacionalmente.

As chuvas, ao invés disso, podem reduzir justamente a porcentagem do grão arábica capaz de atender aos padrões rigorosos exigidos pelos compradores especializados. Na cooperativa Expocacer, por exemplo, estima – se que apenas entre 10% e 15% da produção consiga cumprir os requisitos técnicos estabelecidos pela bolsa de Nova York neste ano; esse percentual cai drasticamente comparado à faixa normal esperada (30% ou mais.

Embora grandes torrefadoras tenham alternativas para gerenciar custos operacionais em um cenário desafiador como este, uma oferta menor dos melhores lotes brasileiros aumenta o nível de disputa pelo café premium na cadeia produtiva inteira.