China realiza teste de míssil balístico lançado por submarino no Oceano Pacífico e gera críticas
A ação militar da China levanta preocupações sobre a estabilidade regional, com críticas da Nova Zelândia e Austrália destacando riscos à paz no Pacífico.
Na segunda – feira (6), a China conduziu um teste de míssil balístico lançado por submarino no Oceano Pacífico, uma ação que gerou críticas da Nova Zelândia e da Austrália. Os dois países alertaram que o teste pode comprometer a paz e a estabilidade na região.
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O porta – voz da Marinha do Exército de Libertação Popular da China, capitão sênior Wang Xuemeng, informou que um submarino chinês disparou um míssil estratégico com uma ogiva simulada em direção a uma área designada no alto – mar. “Esse lançamento fez parte da programação anual de treinamento militar da China”, explicou Wang, ressaltando que os “países relevantes” foram notificados previamente sobre o teste.
Ele também afirmou que a operação seguiu as normas do direito internacional e não teve como alvo qualquer país específico.
Reações à ação chinesa
O Departamento de Estado dos Estados Unidos acompanhou o lançamento e confirmou tratar – se de um míssil balístico intercontinental capaz de transportar armas nucleares, embora sem ogiva. O governo americano expressou preocupação com a “rápida e pouco transparente expansão do arsenal nuclear chinês”, pedindo à China que se envolvesse em discussões significativas sobre controle de armamentos.
Especialistas em mísseis destacam que a Marinha do Exército de Libertação Popular opera os modelos JL-2 e JL-3, sendo que este último possui alcance suficiente para atingir o território continental dos Estados Unidos a partir das águas próximas à costa da China.
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A classe Jin, ou Tipo 094, é o principal submarino de mísseis balísticos da China, com seis unidades em operação.
Preocupações regionais com testes nucleares
Winston Peters, ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, classificou o lançamento como indesejado e preocupante. Ele enfatizou que o míssil foi disparado em direção às águas da Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, estabelecida pelo Tratado de Rarotonga em 1986.
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Peters lembrou que a China assinou protocolos relacionados ao acordo e reiterou que sua nação não deseja ver o Pacífico Sul utilizado como campo de testes para capacidades misséis.
A ministra das Relações Exteriores da Austrália, Penny Wong, também criticou o teste, considerando – o desestabilizador para a região. Ela destacou que esse evento deve ser analisado dentro do contexto da rápida expansão militar chinesa e cobrou transparência por parte de Pequim sobre suas intenções.
O governo japonês expressou “sérias preocupações” sobre as atividades militares intensificadas pela China e pediu que reconsiderasse novos testes com mísseis balísticos. Peters relembrou eventos passados semelhantes, citando um teste realizado pelo Exército de Libertação Popular em 2024.
Comparação com outros testes
A prática de testes nucleares é comum entre potências nucleares. Em setembro passado, por exemplo, a Marinha dos Estados Unidos realizou quatro lançamentos do míssil balístico Trident próximo à Flórida. A Índia também testou um míssil balístico lançado por submarino em dezembro, enquanto a Rússia fez um teste semelhante em outubro.
A China tem ampliado sua frota de submarinos nucleares como parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer suas capacidades militares. O último teste conhecido de um ICBM no Pacífico ocorreu em setembro de 2024 quando um míssil DF-31B foi disparado a partir da ilha de Hainan.
De acordo com um relatório do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, a maioria dos testes chineses ocorrem dentro do território nacional. Contudo, lançamentos realizados rapidamente indicam uma capacidade significativa para operações nucleares.
O relatório enfatiza que esses testes são vistos pelo Exército de Libertação Popular como uma opção viável para estratégias de dissuasão nuclear.