Cerca de oito milhões de livros são queimados em ataque a editora na Ucrânia em agosto de 2026

A destruição de milhões de livros na Ucrânia representa um duro golpe cultural e econômico, ameaçando a identidade nacional em meio ao conflito em curso.

Bombeiro trabalha em depósito de livros atingido por ataque russo em Kharkiv 1º de agosto de 2026 REUTERS/Volodymyr Pavlov

Viktor Kruhlov, diretor da Ranok, uma das principais editoras infantis da Ucrânia, não conseguiu conter as lágrimas ao ver seus livros serem consumidos pelas chamas. Em um ataque com drones ocorrido em 1º de agosto, no depósito da Ranok em Kharkiv, cerca de oito milhões de livros foram destruídos, representando o maior golpe para a indústria editorial ucraniana desde o início da guerra há quatro anos.

As editoras estimam que mais de dez milhões de obras tenham sido perdidas em ataques a depósitos nos últimos meses, colocando em risco um setor que havia se beneficiado do aumento na demanda por literatura em língua ucraniana no começo do conflito.

Enquanto os bombeiros lutavam contra o incêndio, Kruhlov relatou que a primeira explosão foi seguida por uma segunda, poucos momentos depois. “Este foi um ataque deliberadamente planejado contra o depósito de livros”, destacou ele. A Ranok é responsável pela impressão de aproximadamente um terço dos livros didáticos utilizados nas escolas do país.

Até o momento, o Ministério da Defesa da Rússia não comentou sobre o incidente.

Impacto Cultural e Econômico

Os ataques a depósitos de livros e gráficas geraram grande repercussão na Ucrânia, onde muitos enxergam a guerra como uma luta pela sobrevivência e pela identidade nacional. O ministro da Educação, Andrii Butenko, classificou esses ataques como tentativas de destruir a língua, a história e a memória ucranianas — elementos fundamentais para o desenvolvimento da identidade das crianças do país.

O presidente russo, Vladimir Putin, frequentemente questiona a soberania da Ucrânia e defende que os ucranianos formam um único povo com os russos.

A destruição dos livros não apenas afeta simbolicamente o país, mas também evidencia os crescentes custos econômicos impostos pelo conflito. Yevhen Shyrynos, editor – chefe da editora Book Chef, perdeu cerca de 800 mil livros em um ataque russo a Kiev no dia 2 de julho.

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Recentemente, mais 100 mil exemplares foram destruídos em outro ataque ao seu depósito de reserva. “Isso depende da situação econômica geral”, afirmou Shyrynos ao comentar sobre as incertezas do mercado editorial.

Resiliência e Desafios Econômicos

A economia ucraniana tem demonstrado resiliência durante a guerra, adaptando – se a apagões frequentes e à escassez de mão de obra. Apesar disso, a produção econômica anual gira em torno de US 215 bilhões — valor que ainda está cerca de 20% abaixo do nível anterior à invasão russa.

Economistas e líderes empresariais veem o conflito como um teste significativo para a resistência econômica do país.

Olga Pindyuk, especialista do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais de Viena, ressaltou que “essencialmente é uma luta pela sobrevivência: quem conseguir resistir por mais tempo”. Essa realidade se torna cada vez mais evidente à medida que os impactos dos ataques se acumulam sobre setores essenciais como o editorial.