Centrais sindicais lideram manifestação por redução de jornada em Porto Alegre

Centrais sindicais intensificam pressão por redução de jornadas com manifestação histórica em Porto Alegre.

30/06/2026 16:01

4 min

Ato pelo fim da escala 6×1 partiu das imediações da rodoviária de Porto Alegre e seguiu em marcha até o Palácio Piratini, onde se somou à mobilização dos servidores públicos estaduais
Ato pelo fim da escala 6×1 partiu das imediações da rodoviária d...

Centrais sindicais e movimentos populares tomaram o Centro de Porto Alegre nesta terça – feira, dia 30, em um grande ato reivindicando a redução da jornada semanal para apenas 40 horas sem qualquer corte salarial.

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A manifestação fez parte do convocado pelas centrais por todo o país e ocorreu na véspera crucial de uma audiência pública sobre o tema no Senado Federal. A pauta principal foi defender tanto o fim imediato da escala trabalhista 6×1 quanto garantir melhores condições à saúde dos trabalhadores diante das jornadas estendidas.

Mobilização pelo Fim da Jornada Exaustiva

O ponto inicial da caminhada pela capital gaúcha deu – se nas imediações da rodoviária, onde Bruno Mattos, membro da União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa), reuniu os presentes para aderir ao movimento em defesa do direito às horas reduzidas e contra a jornada excludente.

Para ele, conseguir essa mudança exige pressão constante. “Não existe vitória sem luta”, afirmou o ativista, reforçando que é preciso levar esse debate até todos os cantos do país enquanto defende um aspecto considerado “inegociável”: a Consolidação das Leis do Trabalho.

A marcha seguiu pelo centro urbano, passando pela sede estadual no Palácio Piratini. Lá se uniu à mobilização dos servidores públicos estaduais vindos do Instituto de Previdência do Estado (IPE). No local, as pautas convergiram: além da redução horária e fim do 6×1, houve também forte defesa ao funcionalismo público em geral.

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Amarildo Cenci, presidente da CUT – RS, descreveu o regime atual como adoecedora jornada para os trabalhadores. Ele ligou diretamente essa diminuição do tempo trabalhado a ganhos significativos tanto na saúde quanto na produtividade.

Impacto Social das Jornadas Reduzidas

“Mais tempo pra vida… é maior produtividade”, declarou Amarildo Cenci durante seu discurso no Piratini. Segundo ele, ter mais folga significa menos doenças e muito mais tempo livre disponível nas famílias ou até mesmo nos estudos pessoais. Ao responder aos empresários que alertam sobre possíveis falências por causa dessa medida trabalhista, citação um argumento já usado em momentos anteriores da história brasileira.

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Cenciado lembrou o país de conquistas passadas como 13º salário, férias anuais e licença – maternidade: “O Brasil nunca quebrou e não vai quebrar”.

Acúmulo entre trabalho remunerado e cuidado

As lideranças femininas das centrais sindicais trouxeram uma pauta complementar crucial ao debate principal: a exaustão causada pelo acúmulo do tempo dedicado tanto ao emprego quanto às responsabilidades domésticas. Isis Garcia, diretora Sind BancáriosCUT – RS, destacou em seu discurso sobrecarregada as mulheres no setor bancário.

“Nós somos exaustas”, declararam os representantes da categoria após associar o excesso de carga horária àquelas tarefas que caem “só sobre nossas costas” — ou seja, nas esferas privadas e familiares. Mara Weber (SintrajufeRS) reforçou essa linha argumentativa quando citou jornadas ainda mais intensivas além das 6×1: ela mencionou até a jornada “7 por 0” e outra modelo como um possível imposto pela rede Zaffari.

Para elas, é fundamental avançar na pauta enquanto há mobilização intensa nas ruas.

Pautas do Serviço Público Estadual

O encontro em frente ao Palácio Piratini também deu destaque às reivindicações específicas dos servidores estaduais gaúchos. Fabiano Salazar, secretário – geral SindjusRS — que representa os funcionários da Justiça estadual —, uniu o pedido de redução horária à necessidade urgente de revisão geral salarial.

Ele fez uma ligação direta entre as lutas trabalhistas: “Tudo que diz respeito à luta da classe trabalhadora dialoga”, afirmou sobre a demanda pelo fim do confisco previdenciário na gestão atual (Eduardo Leite). Rosane Zan (Cpers Sindicato) reforçou essa convergência ao somar aos pedidos salário e combate às jornadas exaustivas.

Resistências políticas no Congresso

A proposta em questão já tramita há meses nas esferas legislativas. Em 27 de maio, foi votada pela Câmara dos Deputados através da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 221/19, que visa extinguir o regime 6×1 fixando a jornada semanal para cinco dias.

No primeiro turno foram registrados votos favoráveis por parte de 472 deputados contra apenas 22; na segunda rodada os números ficaram mais próximos: houve apoio com 461 e resistência expressa nos índices contrários.

O texto é autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT – MG), mas também tramitou sob outras propostas importantes. A matéria seguiu em direção ao Senado Federal, presidido por Davi Alcolumbre (União – AP). Guiomar Vidor da Fecosul relembrou o placar votacional como prova clara da persistente rejeição à pauta pelos setores conservadores. Segundo ele, a adesão popular já demonstra forte suporte pela medida de fim das seis folgas semanais; estima que mais de 73% dos brasileiros apoiam essa mudança no modelo atual.**

Enquanto as ruas clamavam pelo direito às horas reduzidas e melhores condições laborais sem corte salarial, os sindicatos também apontaram para exemplos internacionais. O Sindicato em Educação de São Leopoldo (Ceprol) divulgou uma carta aberta ao Senado citando países europeus — incluindo Islândia, Espanha e Bélgica —, onde jornadas menores foram implementadas com sucesso na redução do adoecimento.

Autor(a):

Lucas Almeida é o alívio cômico do jornal, transformando o cotidiano em crônicas hilárias e cheias de ironia. Com uma vasta experiência em stand-up comedy e redação humorística, ele garante boas risadas em meio às notícias.

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