Censura militar vetou sucesso dos Titãs, que agora é regravado por Anitta e ganha nova repercussão

Originalmente, o single enfrentou censura durante o regime militar que dominou o Brasil entre 1964 e 1985.
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A nova repercussão trouxe à tona a história da proibição da canção, que chegou a ser vetada antes de seu lançamento oficial em 1986, pela banda Titãs.
O ressurgimento do sucesso não foi por acaso. O Google Trends registrou um aumento impressionante de 5.000% nas buscas pela música entre 2024 e 2025. Paulo Miklos, membro dos Titãs e intérprete original da faixa, elogiou a nova interpretação de Anitta. “Olha que repercussão massa!
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Que coisa genial está acontecendo com a gravação pela Anitta e produção de Tropkillaz. Ficou genial”, comentou o cantor em um vídeo.
A censura na história da música brasileira
O rockn roll sempre teve uma pegada rebelde, mas sua influência aumentou significativamente nos anos 1970 com a expansão do mercado fonográfico. Isso chamou a atenção do regime militar sobre o papel da música nos centros urbanos. Vale lembrar que não foi apenas durante essa ditadura que a censura se manifestou no Brasil; ela foi institucionalizada em 1934 e ampliada pelas constituições de 1937 e 1946.
Com o regime militar, a censura se tornou mais rigorosa a partir de 1965, buscando aumentar o controle coercitivo do Estado sobre as manifestações culturais. Inicialmente, as restrições eram regionais. No entanto, com a centralização em órgãos como o Serviço de Censura de Diversões Públicas do Departamento Federal de Segurança Pública — que mais tarde se tornaria a Polícia Federal —, as regras passaram a ser unificadas.
Em 1966, a criação da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP) em Brasília estabeleceu diretrizes nacionais para esse controle. Essa censura abrangia diversas formas de entretenimento, incluindo música, teatro, televisão e cinema. Registros históricos revelam que muitos cidadãos enviavam cartas à DCDP solicitando a proibição de músicas consideradas “ofensivas” aos bons costumes.
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Repercussão atual e legado cultural
A nova versão de “Bichos Escrotos” traz à tona discussões sobre liberdade de expressão e os limites da arte sob regimes autoritários. A redescoberta da canção simboliza não apenas uma crítica ao passado sombrio da censura no Brasil, mas também um renascimento cultural através das novas gerações que abraçam essa herança musical.
A popularidade crescente da faixa regravada por Anitta reflete um desejo coletivo por revisitar e reinterpretação do passado sob uma nova luz. Essa transformação cultural mostra como a música pode atuar como um veículo poderoso para questionar normas sociais e políticas.
Autor(a):
Sofia Martins
Com uma carreira que começou como stylist, Sofia Martins traz uma perspectiva única para a cobertura de moda. Seus textos combinam análise de tendências, dicas práticas e reflexões sobre a relação entre estilo e sociedade contemporânea.

