Celso Amorim lidera delegação brasileira em Moscou e condena uso de força contra Irã e Venezuela
Celso Amorim traçou as diretrizes brasileiras em Moscou, condenando o uso de força militar contra o Irã e criticando a intervenção em países como a Venezuela
O assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Amorim, liderou a delegação brasileira no primeiro Fórum Internacional de Segurança, realizado em Moscou entre os dias 26 e 28 de maio de 2026. Durante o evento, Amorim traçou as diretrizes da política externa do Brasil, condenando o uso da força militar por potências estrangeiras, especialmente contra a Venezuela e o Irã.
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Preocupações com o Oriente Médio e a Condenação de Forças Militares
Em seu discurso na quinta-feira (28), Celso Amorim reforçou a preocupação brasileira com a situação no Oriente Médio, destacando a fragilidade do cessar-fogo no conflito iraniano. “Há 150 anos, o Brasil segue com grande preocupação a situação no Oriente Médio.
Condenamos veementemente o uso da força militar contra o Irã,” afirmou.
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O assessor especial acrescentou que, embora o cessar-fogo fosse bem-vindo, a situação ainda é muito delicada. “Apoiamos integralmente os esforços de mediação liderados pelo Paquistão e outros países. Esperamos que um acordo permanente possa ser alcançado em breve,” declarou.
Amorim também abordou a crise humanitária, mencionando: “A intensificação das hostilidades no Oriente Médio desencadeou uma escalada regional com graves impactos humanitários e econômicos. Neste momento volátil, não nos esqueçamos das crianças de Gaza e das aspirações do povo palestino por segurança e dignidade.”
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Críticas ao Uso da Força na América do Sul
Sobre a Venezuela, Amorim classificou o uso da força por potências estrangeiras como “sem precedentes”. Ele criticou a situação que culminou com o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelas forças estadunidenses.
“Na América do Sul, o uso da força por uma potência estrangeira, como no caso da Venezuela, não tem precedentes desde a independência no século 19. Após décadas de bloqueio ilegal, a política de pressão máxima ameaça a vida do povo cubano.
E, mais uma vez, condenamos essa prática,” destacou.
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Diálogo Bilateral e Capacidade de Defesa Brasileira
Durante o Fórum, o assessor especial Amorim realizou reuniões bilaterais com altas autoridades russas. Entre os encontros, houve diálogo com o assessor do presidente Vladimir Putin para assuntos de política externa, Yuri Ushakov; o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov; o presidente do Conselho Naval e assessor presidencial, Nikolai Patruschev; e o secretário do Conselho de Segurança, Sergei Shoigu.
Segundo o comunicado, os encontros permitiram aprofundar o diálogo sobre temas estratégicos de interesse comum, além de tratar da conjuntura internacional e de iniciativas voltadas à promoção da estabilidade e à solução pacífica de controvérsias.
Em relação à defesa nacional, Amorim enfatizou a necessidade de o Brasil aprimorar sua capacidade de dissuasão em um cenário de unilateralismo global. “O governo brasileiro continuará investindo na segurança e no bem-estar de seu povo. Contudo, não podemos ignorar as ameaças de um mundo sem regras,” afirmou.
A delegação brasileira, composta por representantes do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do Ministério da Defesa, participou do Fórum, que reúne 140 delegações de 120 países para discutir dilemas de segurança no sistema internacional, com foco nos países em desenvolvimento, do grupo Brics e do Sul Global.