Celina Leão busca nova imagem para desassociar governo de Ibaneis Rocha
Celina Leão busca nova imagem em Brasília! Governadora muda estratégia para distanciar-se de Ibaneis Rocha. Referência a “O Leopardo” revela tática política
A Busca por uma Nova Imagem no Palácio do Buriti
A governadora Celina Leão tem dedicado grande parte de sua energia política a uma tarefa específica: convencer o eleitor de Brasília de que seu governo não é o mesmo que o de Ibaneis Rocha. Essa operação é complexa, coordenada e cuidadosamente planejada, buscando uma mudança de percepção que se traduz em uma nova narrativa política.
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Em poucas semanas, a governadora implementou uma série de medidas, desde a troca de figuras-chave no governo até a adoção de uma nova identidade visual para o GDF, abandonando o azul e o amarelo que marcaram a gestão anterior.
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O Legado do Transformismo: Uma Referência Literária
A estratégia adotada pela governadora remete a um conceito clássico da ciência política, popularizado pelo escritor Giuseppe Tomasi di Lampedusa em seu romance “O Leopardo”. A obra, publicada em 1958, narra a habilidade das elites aristocráticas de sobreviver à revolução, fingindo abraçá-la.
A frase “se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi” – “se queremos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude” – resume essa dinâmica, onde a mudança é um meio para preservar o status quo. Essa referência, com adaptações cinematográficas, ilustra a arte do “transformismo”, um gesto político que visa manter a continuidade material, mesmo em meio a transformações superficiais.
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Descolando-se do Passado: Gestos e Decisões
A operação de descolamento do governo Ibaneis Rocha se manifesta em diversos gestos. A remanejada de recursos da festa de 66 anos de Brasília para a contratação de médicos da atenção básica, a chegada de Valdivino Oliveira à Secretaria de Economia, com críticas à situação fiscal, e o afastamento de diretores do BRB ligados a negociações controversas com o Banco Master, são exemplos dessa estratégia.
A própria governadora tem evitado ligações com seu padrinho político, um gesto que demonstra o desconforto com a continuidade de algumas práticas do governo anterior.
A Complexidade da Vice-Governadoria
No entanto, a mudança de imagem não se limita a gestos superficiais. A vice-governadora Celina Leão foi eleita junto com Ibaneis em 2022, e seu voto não representava apenas a aprovação de um indivíduo, mas sim um projeto político, uma coalizão e um programa de governo.
Como figura que compartilha o mandato e o sustenta politicamente, ela não pode se descolar do balanço integral da gestão sem rasgar o próprio título que a colocou no Buriti. A estratégia da governadora, portanto, é de gestão simbólica de uma continuidade que se tornou desconfortável, buscando um equilíbrio entre a aprovação do passado e a busca por uma nova imagem.
Responsabilidade e Prestação de Contas
A responsabilidade da governadora, como vice-governadora, é ainda maior. A arquitetura constitucional brasileira exige que a vice-governadora partilhe o mandato e o sustente politicamente. Não há como ela hoje se descolar do balanço integral daquela gestão sem rasgar o próprio título que a colocou no Buriti.
A linha do tempo não permite: ela foi vice-governadora durante todo o período investigado, integrante do primeiro escalão da gestão que aprovou no Distrito Federal a operação de socorro ao banco. Não dá para ser, ao mesmo tempo, parte da história e estranha a ela.
O que está em jogo, portanto, é menos uma reinvenção administrativa do que uma operação de marketing eleitoral.