CEDAE reporta prejuízo de R219M após investimentos questionáveis

CEDAE registra prejuízo recorde após investimentos arriscados, impactando receita estatal.

Privatização da Cedae ocorreu em 2021

O lucro da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE) sofreu uma queda expressiva: o valor saiu dos R 1 bilhão registrado em 2024 para apenas R 219,39 milhões no ano seguinte.

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Essa redução representa um recuo significativo na receita operacional estatal — totalizando a marca de 78% —, segundo informações divulgadas pelo jornal Valor Econômico. A principal causa apontada está ligada aos investimentos realizados pela companhia junto ao Banco Master e outras instituições financeiras menores.

Investimentos questionados geram prejuízo

A CEDAE aplicou recursos consideráveis em bancos com baixa tradição no mercado que não se limitaram somente à instituição financeira conhecida como o Banco Digimais. Este banco é controlado, inclusive, por Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD.

Segundo apurações feitas pela Polícia Federal (PF), a atuação desses bancos foi similar às práticas observadas na época dos investidores mais conhecidos: houve manipulação nos demonstrativos financeiros para dar uma aparência artificialmente boa saúde econômica.

Essa manobra permitiu tanto supervalorizar ativos quanto gerar recursos fictícios em caixa nas centenas de milhões de reais que foram aplicados nesses locais arriscados no início do ano corrente.

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Resgate e busca por responsabilização

Em um movimento corretivo, comunicado ao mercado pelo próprio órgão responsável pelas águas cariocas. Em 23 de junho passado, o texto informou sobre a recuperação integral da aplicação feita junto à instituição Banco Digimais; trata – se de valores totalizando R 40 milhões.

A companhia esclareceu ainda na nota pública que esse investimento foi feito antes mesmo da aprovação oficial da nova Política de Aplicações Financeiras em 19 de maio deste mês. O valor recuperado será redirecionado para aplicações feitas exclusivamente no segmento S 1, grupo reservado às instituições financeiras mais sólidas e consolidadas do setor bancário brasileiro.

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Auditoria aponta risco superior aos investimentos. Em início de junho passado, a CEDAE alertou sobre um possível prejuízo muito maior. A auditoria interna identificou o potencial desfalque dos valores investidos nos bancos parceiros — montante que pode ultrapassar os R 220 milhões inicialmente aplicados na instituição principal mencionada anteriormente.

Além disso, foi constatado pela própria análise auditiva que as negociações com esses bancos começaram antes mesmo da companhia cumprir todos os critérios internos estabelecidos para realizar qualquer tipo de investimento financeiro; esse cumprimento só ocorreu meses depois do período em questão.

Ação legal e novos mecanismos

Diante desses fatos expostos pelo relatório interno, a CEDAE instituiu imediatamente uma nova política rigorosa sobre investimentos. A empresa também abriu um procedimento administrativo formal visando apurar quem será responsável por todo o prejuízo causado aos cofres públicos estaduais.

“O nosso relatório foi encaminhado tanto aos órgãos de controle que atuam no estado quanto ao Ministério Público”, afirmou ainda comunicado da Companhia na época dos eventos. Essa medida visa assegurar total responsabilização civil contra todos os envolvidos nas esferas legais pertinentes, com base específica na Lei de Improbidade Administrativa.”