Caso Araceli, de 1973, lembra a gravidade da violência sexual contra crianças no Brasil

Caso Araceli, de 1973: um alerta contínuo contra a violência sexual
O 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, relembra um dos casos mais chocantes da história do Brasil: o assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, de oito anos, em 1973, em Vitória (ES), que permanece sem punição até hoje. O crime, que gerou comoção nacional, serve como um lembrete constante da necessidade de combater a violência sexual contra crianças e adolescentes.
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A data é utilizada para promover a conscientização e o debate sobre essa grave questão social.
Desafios na visibilidade da violência
Em entrevista ao jornal É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, a secretária executiva da Rede de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes de Pernambuco, Marcella Tavares, destacou o principal obstáculo: a falta de reconhecimento da violência e da exploração sexual como formas de abuso. “O importante, primeiro, é a gente dar visibilidade à violência”, afirmou.
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Tavares ressaltou que o Brasil ainda enfrenta dificuldades em abordar o abuso e a exploração sexual como crimes, devido a tabus e à tendência de silenciar as vítimas.
Tipos de abuso e exploração
Segundo a especialista, o abuso sexual se manifesta através da violência física, psicológica ou verbal, sem qualquer contrapartida material. A exploração sexual, por sua vez, envolve o uso do corpo de crianças e adolescentes em troca de dinheiro, alimentação ou promessas de trabalho, configurando uma das piores formas de trabalho infantil.
Marcella enfatizou que a conscientização sobre essas diferentes formas de violência é crucial para identificar e prevenir casos.
Dados alarmantes em Pernambuco
Dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco revelam um cenário preocupante. Entre janeiro e março de 2026, 589 crianças e adolescentes foram vítimas de crimes relacionados à violência sexual no estado. A análise por faixa etária demonstra que a violência afeta meninas e meninos em diferentes proporções, com um número significativo de casos envolvendo adolescentes de 12 a 17 anos.
Esses números evidenciam a gravidade do problema e a necessidade de ações urgentes.
Importância do acolhimento e da denúncia
Marcella Tavares alertou para a importância de famílias, escolas e profissionais acolherem crianças e adolescentes que relatam situações de violência, sem questionamentos que possam revitimizá-los. Ela ressaltou que muitos casos ocorrem em ambientes domésticos, envolvendo pessoas conhecidas da vítima, o que dificulta a denúncia.
A orientação da rede é que casos suspeitos sejam denunciados ao Disque 100, canal de direitos humanos que funciona 24 horas por dia, além de conselhos tutelares e outros órgãos de proteção.
“Qualquer pessoa que veja ou que identifique que essa criança ou esse adolescente está sendo vítima de violência deve denunciar”, concluiu a especialista, enfatizando a importância da colaboração de toda a sociedade para combater a violência sexual contra crianças e adolescentes.
Atualização em 30/10/2026: o texto foi corrigido.
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