Carlos Gustavo Poggio analisa desafios à democracia durante segundo mandato de Donald Trump nos EUA

Carlos Gustavo Poggio alerta sobre os riscos à democracia americana com a concentração de poder de Trump e suas implicações no cenário político global.

30/06/2026 23:17

3 min

Presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em 22 de junho de 2026
Presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, ...

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está desafiando os limites da democracia americana em seu segundo mandato, ao buscar concentrar o poder no Executivo e frequentemente ignorar o Congresso. Essa análise é de Carlos Gustavo Poggio, professor de Relações Internacionais e especialista em política americana, em entrevista ao Hora H.

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Durante seu segundo mandato, Trump enfrentou diversos conflitos com o Judiciário, acumulando vitórias e derrotas significativas na Suprema Corte. Entre as derrotas mais notáveis estão a autorização para a contagem de votos pelo correio após a data das eleições, a rejeição de um plano que restringia a cidadania de imigrantes nascidos nos Estados Unidos e a limitação do poder presidencial para demitir a diretora do Federal Reserve.

Agenda conservadora e sua ressonância

Poggio também comentou sobre como a agenda conservadora de Trump se conecta com o eleitorado. Segundo ele, certos temas dessa pauta possuem um apelo que vai além da tradicional base conservadora. “A questão de atletas trans em esportes é algo profundamente impopular na opinião pública norte – americana”, afirmou o especialista.

Ele destacou que esse tema foi um dos elementos mais eficazes da campanha de Trump contra Kamala Harris, alcançando até mesmo eleitores democratas.

No entanto, Poggio advertiu que quando Trump “utiliza uma linguagem que flerta com questões antidemocráticas, isso pode provocar algum tipo de reação”. Essa dinâmica revela as tensões presentes no cenário político atual.

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Impacto do trumpismo na América Latina e na Europa

Ao ser questionado sobre a influência do trumpismo na América Latina e na Europa, Poggio fez uma importante observação. Ele destaca que “existe um exagero em atribuir isso a uma influência direta do Donald Trump”, já que fatores mais amplos e profundos estão em jogo.

O especialista mencionou as eleições na Colômbia e no Peru como exemplos de disputas muito mais acirradas do que se esperava, questionando a ideia de uma “onda” conservadora na região.

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Na Europa, líderes como Giorgia Meloni, da Itália, Marine Le Pen, da França, e o partido Brexit no Reino Unido, que anteriormente estavam alinhados ao trumpismo, agora buscam se distanciar desse movimento. Na América Latina, por outro lado, figuras como Javier Milei e Jair Bolsonaro mantêm uma estreita relação com Trump e com a direita populista.

Poggio concluiu afirmando que essa reorganização política é natural à medida que o tempo de Trump no poder se aproxima do fim. “Ele sairá do poder nas próximas eleições e não poderá ser reeleito. Isso cria uma reconfiguração dessas forças políticas”, finalizou o especialista.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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