Cantora Parastoo Ahmadi é condenada a 74 chibatadas no Irã por se apresentar sem hijab
Parastoo Ahmadi, condenada por se apresentar sem hijab, enfrenta severas restrições artísticas e de mobilidade, refletindo a repressão cultural no Irã
A cantora iraniana Parastoo Ahmadi, de 29 anos, foi condenada a 74 chibatadas por um tribunal no Irã. A sentença refere-se a uma apresentação realizada em 2024, na qual ela se apresentou sem o hijab, item obrigatório segundo a legislação local para mulheres em espaços públicos.
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Além da punição corporal, a artista e sua equipe enfrentaram restrições adicionais, incluindo a proibição de realizar atividades artísticas e de deixar o país por um período de dois anos.
Apresentação Viral e Repercussão Internacional
O caso ganhou notoriedade global devido à transmissão ao vivo do espetáculo no YouTube, que rapidamente se tornou viral. Durante o evento intitulado “Concerto Caravanserai”, Parastoo Ahmadi se apresentou usando um vestido sem o véu exigido e interpretou canções tradicionais e patrióticas do Irã, como “Az Khoon-e Javanan-e Vatan” (“Do Sangue da Juventude da Pátria”).
O vídeo da apresentação acumulou milhões de visualizações e chamou a atenção das autoridades iranianas.
Nascida em 21 de março de 1997, na cidade de Nowshahr, localizada no norte do Irã, Parastoo é uma artista multifacetada: cantora, compositora, cineasta e artista independente. Sua formação acadêmica em direção de cinema pela Universidade Sooreh, em Teerã, complementa seu envolvimento nas artes.
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Desde os 14 anos, ela começou a estudar teoria musical e canto, com foco na música tradicional persa e repertórios folclóricos regionais.
Ativismo Artístico e Contexto Cultural
Com o passar dos anos, Parastoo desenvolveu um estilo musical que mescla elementos da cultura iraniana com temas contemporâneos. Sua notoriedade aumentou durante os protestos que ocorreram no Irã em 2022 após a morte de Mahsa Amini. Naquele contexto, suas canções passaram a ser associadas aos movimentos por liberdade e igualdade de gênero, consolidando-a como uma voz representativa das reivindicações sociais.
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De acordo com informações do jornal The Guardian, a apresentação que resultou na condenação ocorreu em 2024 e incluiu uma interpretação da música patriótica “Az Khoone Javanane Vatan”. O veículo também relatou que Parastoo foi brevemente detida após o show.
Posteriormente, as autoridades iniciaram um processo formal devido à publicação do vídeo da apresentação.
A condenação imposta em 2026 gerou uma onda de críticas provenientes de organizações internacionais de direitos humanos e especialistas em cultura iraniana. As reações destacam as crescentes preocupações sobre a liberdade artística no Irã e o tratamento das mulheres sob a legislação vigente.