Canadá não tem poder de fogo contra os EUA, afirma especialista da FGV sobre relações comerciais

Canadá enfrenta desafios significativos nas relações comerciais com os EUA, enquanto especialista alerta sobre o impacto das tarifas no setor automotivo.

Ilustração com miniatura impressa em 3D do presidente dos EUA, Donald Trump, e a bandeira do Canadá

A relação entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais voltou a ser um assunto em pauta, especialmente após o New York Times destacar que Canadá e China decidiram não mais ceder às pressões de Washington. O especialista Lucas Ferraz, coordenador do Centro de Negócios Globais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), analisou essa situação e contestou a ideia de que confrontar os Estados Unidos seja a estratégia mais eficaz para o Canadá.

Segundo Ferraz, tanto China quanto Canadá têm retaliado os Estados Unidos desde o início da imposição de tarifas que afetaram praticamente todo o mundo, incluindo Brasil, Europa e China. No entanto, ele destacou que muitos países já encontraram maneiras de lidar com essa dinâmica comercial. “Na América Latina, na minha visão, apenas o Brasil ainda carece de uma negociação com os Estados Unidos”, afirmou.

Ele acrescentou que “o México está negociando, creio eu, muito bem o seu tratado com os Estados Unidos”.

Divergências econômicas entre Canadá e China

O especialista enfatizou as diferenças significativas entre os dois países que adotaram uma postura mais confrontativa. De acordo com Ferraz, a economia do Canadá gira em torno de US 2 trilhões, enquanto a da China é cerca de US 20 trilhões. Além disso, ele apontou que a China lidera em áreas como tecnologias limpas, produtos essenciais e terras raras. “O Canadá não tem esse poder de fogo contra os Estados Unidos”, declarou.

Ferraz também ponderou que enfrentar ou retaliar os Estados Unidos pode ser mais prejudicial para o Canadá do que para os americanos. “Na minha opinião, essa estratégia é muito mais danosa para o Canadá”, afirmou. O especialista alertou ainda sobre as futuras tarifas no comércio automotivo, previstas para entrar em vigor em janeiro.

Impactos no setor automotivo

Ferraz destacou que o setor automotivo representa entre 15% e 16% do comércio bilateral entre Canadá e Estados Unidos e é altamente integrado às cadeias de suprimentos internacionais, um aspecto relevante tanto para as relações entre Estados Unidos e Canadá quanto entre Estados Unidos e México.

Com base nessa análise, Ferraz concluiu que a abordagem mais sensata para o Canadá seria seguir o exemplo de outras potências médias e buscar negociações. “Na minha visão, o Canadá deveria adotar uma postura similar à de outros países de potências médias e continuar nesse caminho da negociação”, afirmou.

Leia também