Campanha de Trump para as eleições de meio de mandato de 2026 aposta nele mesmo

Anúncios veiculados em grandes mercados dos EUA destacam medidas de Trump e somam cerca de US 1 milhão, sem mencionar candidatos ao Congresso.

Presidente Donald Trump

A operação política do presidente Donald Trump começou a veicular anúncios para as eleições de meio de mandato de 2026 em grandes mercados de mídia dos Estados Unidos, como Nova York, Washington (DC), Chicago e Filadélfia. A campanha, lançada pela Securing American Greatness (Garantindo a Grandeza Americana, em tradução livre), prioriza a imagem do próprio Trump em vez dos republicanos que disputarão as cadeiras do Congresso.

Os comerciais são financiados por uma organização sem fins lucrativos ligada ao super PAC pró – Trump MAGA Inc. De acordo com dados da empresa de monitoramento AdImpact, o investimento inicial foi de cerca de US 1 milhão (R 5,1 milhões), valor pequeno diante das centenas de milhões de dólares que formam a estrutura política do atual presidente.

Anúncios destacam Trump e medidas do governo

Um dos vídeos, chamado “Toughest Guy” (O Cara Mais Durão), segue o formato tradicional das campanhas de Trump. A peça apresenta o presidente do UFC, Dana White, elogiando a firmeza do presidente e, depois, dá espaço ao próprio Trump.

“Seremos prósperos. Seremos orgulhosos. Seremos fortes e venceremos como nunca antes”, afirma Trump no comercial. A mensagem não cita o Congresso nem o Partido Republicano, concentrando o conteúdo na figura do presidente.

O segundo vídeo, “Tax Cut Prices” (Preços e Cortes de Impostos), menciona ações adotadas pelos republicanos em Washington. Trump declara: “Nós garantimos a vocês isenção de impostos sobre gorjetas, horas extras e benefícios da Previdência Social — os maiores cortes de impostos da história americana”.

Na sequência, ele afirma que “O preço dos ovos caiu 60%” e diz ter reduzido o custo de medicamentos prescritos, que teriam passado “dos mais altos do mundo para os mais baixos”. O presidente também declara que as grandes empresas de tecnologia devem atender às próprias necessidades energéticas para evitar aumento de preços.

O narrador encerra com a frase: “Ele luta por você todos os dias. Ajude – o a terminar o trabalho.”

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Várias afirmações do anúncio são falsas ou enganosas, entre elas as relacionadas aos impostos da Previdência Social, aos preços de medicamentos prescritos e à exigência de que data centers produzam a própria energia. Algumas dessas medidas, incluindo as duas últimas, não dependeram de legislação do Congresso e foram tomadas pelo Poder Executivo.

Os republicanos aguardam que a equipe de Trump amplie a liberação de recursos para apoiar candidatos nas eleições de meio de mandato. Até agora, porém, o ritmo dos gastos tem sido lento, o que aumenta a atenção sobre a escolha de concentrar a publicidade no presidente.

Há uma justificativa eleitoral para essa decisão. Na última década, os eleitores de Trump se mostraram menos propensos a votar quando o nome dele não aparece na cédula. A operação política aposta que associar as disputas ao presidente pode estimular a participação de sua base.

Trump disse recentemente à Fox News que faria campanha“como fiz para mim mesmo. E vou torcer para que as pessoas achem que estou concorrendo”. Ele também afirmou que a estratégia deveria girar em torno de sua própria imagem porque os eleitores gostam mais dele do que de outros republicanos.

O cálculo, contudo, pode produzir efeito contrário. A aprovação de Trump aparece frequentemente na casa dos 30% e, por vezes, na faixa mais baixa dessa casa decimal. Por isso, alguns republicanos podem preferir se distanciar do presidente e de suas políticas durante a disputa.

Mesmo com esse risco, a operação política de Trump escolheu transformar o presidente no centro da comunicação para 2026. O resultado dessa aposta ainda será definido pelo comportamento dos eleitores nas eleições de meio de mandato.