Café Tradicional no Brasil tem queda de 15,51% e alivia bolso do consumidor em 2026

O preço do café tradicional no Brasil cai 15,51% em abril de 2026, aliviando o bolso do consumidor após anos de alta. Descubra os detalhes!

Queda no Preço do Café Tradicional no Brasil

O preço do café tradicional no Brasil apresentou uma redução de 15,51% em um ano, com o quilo custando R$ 55,34 em abril de 2026, em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Essa dinâmica de desinflação do grão ocorre após dois anos de aumentos, impulsionados pela limitação da matéria-prima e pelos preços recordes nas bolsas internacionais, que foram repassados ao consumidor.

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Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

Com a melhora na safra entre 2025 e 2026, houve uma maior disponibilidade de grãos para processamento. A recomposição dos estoques nos supermercados contribuiu para aliviar o orçamento do consumidor, que enfrentou um pico nos preços do café entre novembro de 2024 e o primeiro quadrimestre de 2025.

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Das oito categorias monitoradas pela ABIC, apenas três apresentaram alta nos preços: os cafés especiais e os descafeinados, com aumentos de 16,9% e 21%, respectivamente. O café solúvel teve um leve avanço de 0,55%.

Comportamento dos Preços e Consumo

Os cafés que predominam a variedade arábica e que se enquadram em categorias mais rigorosas e de alta pontuação de bebida tiveram um valor agregado no preço. Apesar da queda nos preços do café, o valor do quilo ainda não retornou aos patamares anteriores a 2020, quando o Brasil registrou uma safra recorde que garantiu preços mais acessíveis.

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Após abril de 2025, os preços nos supermercados desaceleraram, acomodando os custos de produção que praticamente dobraram entre as safras de 2024 e 2025, pressionando toda a cadeia do café.

Entre 2024 e 2025, os preços acumularam uma alta de 77,78% em 12 meses. Somente em 2025, o aumento foi de 66% para o consumidor, enquanto no primeiro trimestre de 2026, a valorização ainda supera 30%, apesar dos sinais recentes de acomodação no mercado.

Tendências de Consumo e Mercado

Segundo Pavel Cardoso, presidente da ABIC, os aumentos mais significativos nos preços do café começaram a ser percebidos no varejo entre o final de 2024 e os primeiros meses de 2025. “A escalada teve início em novembro de 2024, mas os repasses ao consumidor foram mais evidentes em março e abril de 2025”, afirmou.

Ele destacou que essa sequência de reajustes resultou em uma queda de 5,31% no consumo no primeiro quadrimestre do ano passado. Em 2026, no mesmo período, foi observado um crescimento de 2,44%, indicando uma tendência de recuperação, dependendo da confirmação da safra.

Cardoso também mencionou que a volatilidade do mercado internacional impactou a recomposição dos estoques industriais. “As indústrias precisam constantemente adquirir café cru. Quando os preços aumentam, os estoques diminuem, e qualquer interrupção na oferta leva as empresas a comprar novamente”, explicou.

Ele ressaltou que o setor enfrentou dificuldades para recomprar matéria-prima devido aos preços elevados.

Expectativas para a Safra de 2026

Se as projeções de safra se confirmarem, 2026 poderá registrar um dos maiores volumes da história recente do setor, superando até mesmo 2020. “Há rumores de quebras pontuais no Espírito Santo e no sul da Bahia, mas, se as estimativas médias dos órgãos oficiais se mantiverem, a tendência é de um comportamento mais regular das lavouras, refletindo no varejo”, explicou.

A redução da volatilidade pode favorecer novas quedas de preços até o final do ano, embora o cenário ainda dependa da confirmação do tamanho da safra e das condições climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño.

Cardoso também afirmou que a indústria tem trabalhado com níveis menores de cobertura de estoques devido à forte oscilação do mercado. “A volatilidade faz com que as empresas evitem posições mais longas, o que afeta o fluxo financeiro das indústrias e dificulta a manutenção de margens regulares no varejo”, concluiu.