Café brasileiro é essencial para os EUA, afirma presidente da NCA antes do Vitória Coffee Summit
Bill Murray destaca a importância do café brasileiro para os EUA, ressaltando a dificuldade de substituição e o impacto das tarifas no comércio bilateral.
O presidente da National Coffee Association (NCA), Bill Murray, afirmou que os Estados Unidos reconheceram a dependência do café brasileiro e as dificuldades de substituir o produto em um mercado tão exigente. Ele fez essa declaração em entrevista à CNN, na véspera do Vitória Coffee Summit, que acontece nesta quinta – feira (20) em Vitória (ES.
Segundo ele, não há outro país capaz de suprir a lacuna deixada pelo Brasil, destacando a eficiência dos produtores e a qualidade do café nacional.
A declaração de Murray surge após mais de um ano de negociações entre representantes da indústria cafeeira brasileira e americana para reverter tarifas que impactavam severamente o comércio. Em agosto de 2025, o café brasileiro enfrentou tarifas totalizando 50% para entrar nos EUA, resultado de uma tarifa inicial de 10% acrescida de uma sobretaxa adicional de 40%.
Essa medida vigorou por quase quatro meses, gerando um recuo significativo nas exportações brasileiras.
Impactos das tarifas no comércio
Entre agosto e novembro de 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 54,9%, passando de 2,917 milhões para 1,315 milhão de sacas. O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) reportou esses números alarmantes que evidenciam o impacto devastador das tarifas sobre o comércio bilateral.
Em novembro do ano passado, o governo americano decidiu retirar a sobretaxa adicional sobre café verde, torrado e moído; no entanto, o café solúvel continuou sujeito à taxação.
A retirada das tarifas foi precedida por uma intensa mobilização do setor privado. Organizações como Cecafé, Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) e Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) uniram esforços com a NCA e importadores americanos para mostrar ao governo dos EUA a dependência da indústria local em relação ao café brasileiro.
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De acordo com o Cecafé, mais de 100 reuniões ocorreram com representantes dos departamentos comerciais e agrícolas americanos ao longo desse processo.
A importância do café brasileiro
Murray atuou como um dos principais interlocutores durante essas negociações nos Estados Unidos. Em julho deste ano, ele defendeu a manutenção das exceções tarifárias para o café durante audiências em Washington. O executivo enfatizou que 2,2 milhões de empregos americanos dependem diretamente dessa commodity. “Precisamos uns dos outros.
O Brasil precisa dos Estados Unidos e os Estados Unidos precisam do Brasil”, ressaltou.
No ano passado, o Brasil representou 19% do café importado pelos EUA em valor monetário. Murray argumenta que a combinação única de escala, eficiência e qualidade do café brasileiro torna difícil substituí – lo apenas redirecionando as compras americanas para concorrentes como Colômbia e Vietnã.
Perspectivas futuras no comércio internacional
Murray acredita que o comércio mundial está entrando em uma nova fase onde tarifas e barreiras comerciais se tornam comuns nas relações entre países. No entanto, ele defende que o café deve ter um tratamento especial nesse cenário. “Embora o mundo já não fale mais em livre comércio para tudo, há um argumento forte para que o café continue sendo comercializado livremente devido à sua importância tanto para produtores quanto para importadores”, comentou.
A NCA já se preparou para enfrentar novos desafios. Embora não tenha afirmado se novas tarifas serão aplicadas pelo governo Trump sobre o café brasileiro, Murray explicou que a NCA continuará lutando pela isenção do grão nacional. Recentemente, novos capítulos foram adicionados às discussões tarifárias quando o USTR decidiu excluir os cafés brasileiros da tarifa de 25% proposta em investigações relacionadas à Seção 301.
A mobilização também ressaltou preocupações sobre como as barreiras comerciais poderiam aumentar os custos do café para os consumidores americanos. Os Estados Unidos são grandes consumidores dessa bebida icônica e não possuem produção interna suficiente para atender toda a demanda.