Cacatuas de Sydney aprendem a abrir lixeiras com o bico e já driblam pesos e travas dos moradores
Em Sydney, uma cacatua ergueu a tampa de uma lixeira, manteve-a aberta e avançou pela borda até alcançar os restos de comida. O episódio mostra como moradores e aves passaram a disputar o mesmo recurso nas ruas da cidade australiana.
Os moradores reagiram com pesos e travas, e algumas aves conseguiram vencer os novos obstáculos. Lucy Aplin também esteve à frente de experimentos em 2026 que acompanhavam como cacatuas lidam com mecanismos de gavetas e alavancas. Um macho apelidado Watermelon venceu uma sequência de desafios atrás de uma amêndoa.
Como a lixeira virou fonte de alimento?
Cacatuas-de-crista-amarela vivem em cidades australianas e aproveitam o que o ambiente urbano oferece. Algumas aprenderam a levantar tampas com o bico e os pés, mantê-las abertas e se deslocar pela borda. O alvo é sempre a comida descartada.
A ação parece simples, mas exige coordenar vários movimentos e segurar a tampa na posição enquanto a ave procura alimento. Pesquisas mapearam a distribuição desse comportamento em bairros e encontraram padrões compatíveis com aprendizagem social.
Uma ave pode observar outra e pegar partes da sequência, mas a observação isolada não mostra que cada indivíduo aprendeu do mesmo jeito.
Além disso, a oportunidade oferecida pela lixeira muda entre ruas e rotinas de coleta. Vencer uma trava, portanto, não prova que todas as outras cacatuas viram a mesma demonstração, e nem toda ave sabe fazer isso.
Moradores e aves disputam cada nova barreira
Resíduos espalhados na calçada geraram trabalho extra e incômodo. Diante disso, moradores puseram objetos sobre as tampas, prenderam dobradiças e testaram outras barreiras. A meta era deixar a lixeira acessível à coleta humana sem que as aves a abrissem, e cada solução alterava o desafio físico que elas tinham de enfrentar.
Algumas aves modificaram os movimentos para contornar pesos ou travas, o que os pesquisadores descrevem como uma disputa de adaptações. Não é preciso atribuir a elas a intenção de enfrentar moradores. Estão apenas explorando uma fonte de comida que ficou mais difícil de alcançar.
A transmissão social é investigada observando onde o comportamento aparece, como se espalha e quais indivíduos parecem copiar ou adaptar gestos. Também existe aprendizado individual por tentativa e erro. Separar essas duas vias exige observações repetidas, e nada impede que elas coexistam.
Watermelon venceu testes com gavetas e alavancas
Watermelon era um macho reconhecido pela equipe de Lucy Aplin por uma marca na asa. No Jardim Botânico Real de Sydney, ele participou de testes com dispositivos que exigiam abrir gavetas, acionar alavancas e girar um mecanismo para pegar uma amêndoa.
Depois de algumas tentativas, conseguiu resolver a última etapa.
O experimento não reproduzia a tarefa das lixeiras, mas permitia observar aprendizagem e flexibilidade em ambiente controlado. A equipe pôde variar obstáculos e comparar tentativas, algo difícil de fazer em cada lixeira de uma rua. Ainda assim, Watermelon não representa automaticamente todas as aves da cidade.
Se cada cacatua precisasse reinventar todo o gesto, a expansão do comportamento seria mais lenta. Observar indivíduos habilidosos pode reduzir o número de tentativas, embora a prática própria continue necessária. Estudos anteriores com lixeiras encontraram diferenças locais no modo de abrir, sinal de que o conhecimento não surge de forma uniforme por instinto.
A disputa segue sem vencedor definitivo
Uma tampa reforçada pode bloquear uma ave em determinado momento e exigir outra solução depois, e algumas barreiras podem continuar eficazes. Para os moradores, o objetivo é evitar resíduos espalhados. Para os pesquisadores, as tentativas revelam como um animal adapta um comportamento aprendido à vida na cidade.
As duas perspectivas convivem na mesma rua.
A convivência urbana oferece repetidas chances de observar e experimentar. Moradores trocam barreiras, aves respondem quando conseguem e surgem novas configurações. A pesquisa não afirma que as cacatuas vencerão qualquer trava futura. Mostra que algumas aprendem soluções e que a circulação dessas habilidades é uma pergunta científica concreta.
Watermelon girando um mecanismo por uma amêndoa torna visível uma habilidade que ajuda a interpretar o cenário urbano. Isso não prova que ele inventou a técnica de abrir lixeiras, nem que todas as cacatuas copiaram seus movimentos. A conclusão mais precisa é que a cidade criou problemas físicos para essas aves, e algumas conseguiram aprender respostas que mudam junto com as barreiras humanas.
Editoria:
Redação Variedades
A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para contato@cliquefatos.com.br.