Brent e WTI sobem com ataques a oleoduto saudita e risco de desabastecimento

Ataques a oleoduto saudita elevam temor de desabastecimento e pressionam cotações do Brent e do WTI.

Danos às instalações do oleoduto Leste-Oeste na Arábia Saudita

Os preços do petróleo operam em alta nesta terça – feira (15), com o Brent e o WTI subindo mais de 1%. O movimento é reflexo dos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita, que deixaram o oleoduto Leste – Oeste do reino fora de operação.

O mercado teme que os danos às rotas de transporte e à estrutura de energia demorem mais para ser reparados.

Por volta das 8h 30 (horário de Brasília), os contratos futuros do Brent avançavam US 0,34 (0,32%), cotados a US 106,02 por barril. Já o WTI (West Texas Intermediate), referência americana, registrava alta de US 1,02 (1,01%), chegando a US 102,41 por barril.

Ataques e impacto no abastecimento

As preocupações com o suprimento de petróleo se intensificaram depois que os houthis, apoiados pelo Irã, lançaram novos ataques contra a Arábia Saudita na segunda – feira (14). A ofensiva ocorre enquanto os países árabes do Golfo adiaram as discussões planejadas com o Irã.

Para Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics, os novos ataques podem estar influenciando as expectativas dos investidores quanto à gravidade e à duração do conflito.

Os houthis afirmaram na segunda – feira ter disparado dezenas de mísseis e drones contra uma base aérea militar em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita. O alvo incluía hangares de aeronaves, sistemas de radar, pistas de pouso e depósitos de munição.

O grupo justificou a ação como retaliação aos ataques aéreos sauditas no Iêmen.

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O ataque ao oleoduto Leste – Oeste, ocorrido na sexta – feira (11), foi atribuído por Riade a combatentes apoiados pelo Irã no Iraque. A paralisação da estrutura, que permite exportar petróleo contornando o Estreito de Ormuz, ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo.

Antes do início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, cerca de um quinto do suprimento mundial passava por aquela rota.

Risco de desabastecimento e projeções

Segundo compradores e operadores, a Arábia Saudita poderia esgotar o petróleo bruto disponível para exportação em poucos dias, a menos que o oleoduto Leste – Oeste retome as operações. O Goldman Sachs, em uma nota, avaliou que o ataque recente pode ser mais grave e ameaçar os 2 mbd restantes das exportações recentes de Yanbu.

As estimativas de reparo variam de “muito em breve” a oito semanas.

Os ataques à infraestrutura petrolífera representam uma escalada significativa do conflito. O Goldman Sachs já projeta um cenário em que a produção média de petróleo do Golfo em 2027 permaneça 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré – guerra, o que levaria o preço do barril a ultrapassar US 120.

Dados preliminares da Kpler, divulgados nesta terça – feira, mostram que o tráfego de navios de commodities pelo Estreito de Ormuz caiu para quatro na segunda – feira, ante 10 no dia anterior. A queda acendeu alertas sobre uma rota que, antes do início do conflito, transportava cerca de um quinto dos suprimentos globais de petróleo.