Brasil: Violência Contra Mulheres Aumenta Preocupações Apesar da Queda em Homicídios

Violência contra mulheres no Brasil: dados chocantes revelam persistência da violência. Estudo Ipea/FBSP aponta para redução de homicídios, mas feminicídios

09/06/2026 20:46

3 min

Brasil: Violência Contra Mulheres Aumenta Preocupações Apesar da Queda em Homicídios
(Imagem de reprodução da internet).

Violência Contra Mulheres no Brasil: Análise de Dados de 2014 a 2024

Um estudo recente, divulgado em 26 de maio de 2026 pelo Instituto de Pesados e Estudos Avançados (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), revela um quadro complexo sobre a violência contra mulheres no Brasil entre 2014 e 2024. Os dados apontam para uma redução nos homicídios de mulheres, mas com um número elevado de casos registrados – 46.336 –, e uma persistência preocupante da violência, especialmente em algumas regiões do país.

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A principal observação do estudo é a diminuição de 27,7% no número de homicídios de mulheres em relação ao período de 2014 a 2024. Essa redução está associada à queda nos assassinatos fora do ambiente doméstico, onde a taxa de homicídios por 100 mil mulheres caiu de 3,47 para 2,17.

No entanto, o número de feminicídios – crimes especificamente motivados pelo gênero da vítima – representou 40,3% do total de homicídios de mulheres nesse período, indicando que a violência doméstica continua sendo a principal causa da morte.

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Principais Regiões Afetadas

As regiões Norte e Nordeste concentraram a maior parte dos registros de violência letal contra mulheres. Em particular, Sergipe e Goiás apresentaram as maiores reduções na taxa de homicídios por 100 mil mulheres, com quedas de 67,2% e 62,5%, respectivamente.

Roraima e Amazonas, por outro lado, registraram as maiores taxas de homicídio nesse período, com 21,2% e 13,6%, respectivamente.

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Feminicídio: Uma Realidade Estável

Apesar da redução nos homicídios fora do lar, o índice de mulheres assassinadas no ambiente doméstico manteve-se relativamente estável, variando entre 1,25 e 1,18 por grupo de 100 mil. Essa constância sugere que a violência doméstica não foi efetivamente combatida, e que a lei do feminicídio, implementada em 2015, ainda não teve o impacto esperado nas investigações e condenações.

Violência Não Letal: Um Problema Generalizado

Além dos homicídios, o estudo também destaca a alta incidência de violência não letal contra mulheres no Brasil. Em 2024, 293.842 mulheres foram vítimas de agressões, com a maior parte ocorrendo no ambiente doméstico, representando 64% do total.

A violência não letal se manifesta frequentemente em agressões repetidas, com 66,2% das mulheres atendidas pela rede de saúde relatando múltiplos episódios de violência no mesmo ano.

Diferenças por Faixa Etária e Gênero

A violência contra mulheres varia de acordo com a faixa etária. Entre 0 e 9 anos, a negligência é a forma predominante de violência, enquanto entre 70 anos ou mais, a negligência também é a principal manifestação. Para meninas de 10 a 14 anos, a violência sexual é a forma mais comum de violência, e para mulheres de 15 a 69 anos, a violência física é a mais frequente, muitas vezes associada a relacionamentos íntimos e agressões múltiplas.

Mulheres Negras: A Maior Vítima

O estudo confirma que as mulheres negras são as mais afetadas pela violência letal, com uma taxa 66,7% superior à das mulheres não negras em 2024. Essa disparidade reflete o racismo estrutural existente no país e a vulnerabilidade social das mulheres negras.

Quatorze estados brasileiros registraram taxas de homicídio de mulheres negras acima da média nacional, com Ceará, Pernambuco e Espírito Santo liderando a lista.

Redução nos Homicídios Negras

Em 2024, 2.457 mulheres negras foram vítimas de homicídio, representando 67,5% do total de crimes contra mulheres naquele ano. Essa taxa de quatro mulheres negras mortas por 100 mil mulheres representa uma queda de 9,1% em relação ao ano anterior, sendo o menor índice registrado nos últimos 11 anos.

Apesar dessa redução, a taxa de homicídio de mulheres negras por 100 mil mulheres caiu de 5,6 para 4, mostrando uma diminuição de 28,6% ao longo do período.

Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.

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