Brasil terá dois pilotos na F1 em 2026 e projeta salto em investimento de marcas
O Brasil voltará a ter dois pilotos no grid da Fórmula 1 a partir de 2026, algo que não acontecia desde 2017. A confirmação de Rafael Câmara como titular da Haas, somada à permanência de Gabriel Bortoleto na Audi, reacende o potencial comercial da categoria no país.
Especialistas projetam um aumento na disputa por cotas de patrocínio e novas oportunidades para marcas brasileiras se associarem ao automobilismo. A última vez que o Brasil teve dois representantes foi com Felipe Massa (Williams) e Felipe Nasr (Sauber).
Dupla brasileira amplia interesse do público e de marcas
Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, a volta de dois pilotos ao grid representa mais do que um feito esportivo. “Rafael Câmara chega com uma trajetória de destaque nas categorias de base e representa mais do que uma promessa esportiva”, afirma.
Ele destaca que a relevância comercial de um esporte depende de quem faz o público se importar, e a F1 acaba de ganhar um ativo valioso no Brasil.
Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, avalia que a presença simultânea de Câmara e Bortoleto gera mais histórias para acompanhar ao longo da temporada. “Dois pilotos criam mais histórias para acompanhar ao longo da temporada e novas oportunidades de campanhas, conteúdo, relacionamento com clientes e experiências nos autódromos”, afirma.
Segundo ele, o cenário pode atrair empresas de diferentes portes, com investimentos que vão desde parcerias com os atletas até ações com as equipes.
Joaquim Lo Prete, da ABSOLUT Sport no Brasil, também vê espaço para o crescimento dos negócios ligados à categoria. “A novidade tem potencial para ampliar o interesse do público que acompanha a F1 e, ao mesmo tempo, abrir novas oportunidades para marcas e negócios ligados direta ou indiretamente ao automobilismo”, diz.
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Potencial comercial já testado por Bortoleto
O potencial financeiro de um piloto brasileiro na F1 já foi demonstrado por Bortoleto. Desde o anúncio de sua chegada, o paulista atraiu patrocinadores como Mercado Livre, Porto, Kit Kat (Nestlé), Banco de Brasília, Motorola, Snapdragon, O Boticário, Claro e Pic Pay.
A presença dessas empresas mostra como a identificação do público com um piloto pode abrir espaço para diferentes setores da economia.
Para Toninho Cecílio, da AdSports, o retorno de dois brasileiros ao grid não beneficia apenas os pilotos. “O retorno definitivo do Brasil ao grid da Fórmula 1 com Gabriel Bortoleto e Rafael Câmara não é apenas um marco esportivo, mas o início de uma nova era que reativa o mercado nacional e reposiciona as marcas brasileiras na vitrine mais valiosa do esporte mundial”, afirma.
Patrocínios exigem planejamento e resultados
O potencial comercial da F1 também se reflete nos ganhos dos pilotos. O salário-base de um competidor é estimado em cerca de US$ 2 milhões por ano, e acordos comerciais podem ampliar significativamente a remuneração, dobrando ou triplicando o valor anual. No entanto, a presença de dois brasileiros não garante aumento proporcional nos investimentos.
Para Fábio Wolff, transformar o interesse do público em patrocínios exige planejamento. “Dois brasileiros no grid não significam automaticamente o dobro de patrocínios. A conversão desse interesse em negócios depende da capacidade de cada projeto de oferecer uma proposta clara às marcas, com ativações consistentes e resultados mensuráveis”, ressalta.
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