Brasil registra 501 gestores de TI com média de 32 agentes autônomos cada um, aponta Jitterbit

A crescente adoção de agentes autônomos no Brasil destaca a urgência de uma governança eficaz para mitigar riscos estruturais nas empresas.

Agentede de IA idênticos, mas desconexos entre si, estão se multiplicando nas empresas, sem padrão nem comando único

O termo “sprawl”, que se refere à expansão desordenada de ferramentas no setor de tecnologia da informação, agora ganha uma nova dimensão com o conceito de “agent sprawl”. Essa expressão, que começou a ser utilizada em 2010, descreve o crescimento não controlado de agentes autônomos de inteligência artificial.

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Esses agentes se diferenciam das máquinas virtuais e contêineres por sua capacidade de tomar decisões e executar ações sem a necessidade de aprovação humana constante.

A falta de governança nesse contexto é especialmente preocupante para o Brasil, que se destaca na adoção desses agentes. Um levantamento realizado pela empresa Jitterbit revela que 501 gestores de TI no país operam, em média, 32 agentes autônomos cada um.

Marcos Oliveira, Global Software Engineering Manager da Jitterbit, afirma: “o desafio não está apenas na quantidade de agentes, mas”. O aumento rápido na implementação desses sistemas torna ainda mais difícil acompanhar a governança necessária.

Risco e Governança na Adoção de Agentes

De acordo com os dados da Jitterbit, 99% das empresas brasileiras planejam implementar ao menos uma solução com inteligência artificial nos próximos 12 meses. Além disso, 9% delas já utilizam mais de 100 agentes autônomos — números que contrastam com apenas 2% nos Estados Unidos e 3,4% no Reino Unido.

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A consultoria Gartner estima que somente 13% das organizações possuem uma governança adequada para lidar com esse volume crescente, expondo assim 87% delas a riscos estruturais significativos.

A ausência de visibilidade centralizada cria ambientes propensos a falhas de segurança que podem passar despercebidas até que se tornem problemas graves. Oliveira alerta que os riscos não estão mais concentrados em aplicações individuais; eles se espalham por toda a infraestrutura corporativa.

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Para garantir segurança e conformidade, é crucial implementar uma governança efetiva antes que o cenário se torne incontrolável.

Desafios e Soluções para o Agent Sprawl

Com um crescimento caótico dos agentes autônomos, as empresas enfrentam dificuldades em assegurar controle e conformidade. Este problema é evidenciado pela multiplicação dos chamados “agentes em silos”, que operam isoladamente sem supervisão central.

Segundo a McKinsey (2025), 80% das organizações relataram comportamentos problemáticos relacionados aos seus agentes, embora apenas 21% dos executivos saibam exatamente quais ações esses sistemas estão realizando.

Oliveira destaca a importância da norma ISOIEC 42001, que oferece diretrizes sobre governança e uso responsável da IA. Além disso, muitos sistemas legados dentro das empresas representam uma barreira significativa à automação completa — 36,1% das empresas brasileiras mencionaram essa incompatibilidade como um obstáculo relevante.

Equilibrando Inovação e Responsabilidade

A solução para conter o agent sprawl não envolve desacelerar a adoção desses sistemas, mas sim priorizar a governança antes que a complexidade aumente ainda mais. É essencial mapear os agentes existentes e estabelecer políticas claras sobre acesso e níveis de risco.

Oliveira sugere tratar os agentes como ativos corporativos em vez de experimentos isolados: “definindo critérios de criação e métricas de desempenho para cada um”.

Uma abordagem comum no mercado é segmentar as camadas de modelo, integração e dados. Essa estratégia não invalida informações pré – existentes; pelo contrário, ela exige cautela. De acordo com a Jitterbit, 59,3% dos entrevistados consideram a responsabilidade da IA como o fator mais importante na escolha das ferramentas tecnológicas — superando até mesmo a velocidade de implementação mencionada por 49,7%.

Para muitas empresas, isso pode resultar em retornos significativos em até 12 meses.

No entanto, o grande desafio é resistir à pressão do hype tecnológico enquanto opera com critérios claros. Oliveira conclui: “as empresas que investem primeiro em integração, orquestração e governança conseguem transformar esses agentes em aceleradores de produtividade”, ressaltando os riscos envolvidos para aquelas que adotam soluções sem uma estratégia clara.