Brasil ganha 9 mil novos milionários em dólar em 2025, totalizando 386 mil pessoas

O Brasil lidera a América Latina em número de milionários, mas enfrenta uma grave desigualdade patrimonial, com um coeficiente de Gini de 0,81.

Aumento da população milionária não foi acompanhado por uma melhora generalizada na riqueza dos brasileiros

O Brasil ganhou mais de 9 mil novos milionários em dólar durante 2025, consolidando – se como o país com a maior população de milionários da América Latina. Os dados foram revelados no Global Wealth Report 2026, elaborado pela UBS e divulgado nesta terça – feira (30.

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O relatório aponta um crescimento de 2,4% no número de brasileiros com patrimônio superior a US 1 milhão, totalizando cerca de 386 mil pessoas nessa faixa.

Apesar desse aumento, o Brasil ocupa apenas a 17ª posição entre os países que mais criaram milionários em termos percentuais, ficando atrás de nações como Lituânia, Turquia, Letônia e Hungria. Isso indica que, embora a quantidade de milionários tenha crescido, o ritmo foi inferior ao observado em diversas economias menores.

Desigualdade patrimonial no Brasil

O levantamento destaca que o país conta com a maior população de milionários na América Latina, superando o México, que possui cerca de 333 mil indivíduos nessa categoria. Essa liderança regional é contrastada por uma preocupante concentração de riqueza entre uma pequena parte da população.

O Brasil continua enfrentando uma das piores distribuições de riqueza globalmente.

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Conforme o relatório, o Brasil apresenta um coeficiente de Gini de 0,81 — indicador que mede a desigualdade patrimonial. Quanto mais próximo de 1, maior é essa concentração. O país está à frente apenas dos Emirados Árabes Unidos, Rússia e África do Sul nesse aspecto.

Em comparação com economias como Estados Unidos (0,77), México (0,72) e Reino Unido (0,59), fica evidente que uma pequena parcela da população detém a maior parte da riqueza privada.

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Crescimento concentrado entre os ricos

Além disso, os dados indicam que o aumento do número de milionários não se traduziu em uma melhora geral na riqueza dos brasileiros. Entre 2020 e 2025, a riqueza média por adulto no Brasil caiu 3,13%, já descontada a inflação. Esse resultado sugere que o crescimento patrimonial beneficiou principalmente os grupos mais ricos.

Em relação à faixa patrimonial da população adulta brasileira em 2025, aproximadamente 69% ainda possuíam menos de US 10 mil. Apesar dessa porcentagem representar uma melhora em comparação aos anos 2000 — quando quase 90% estavam nessa faixa — ainda assim é insuficiente para recuperar os avanços observados em 2010.

Crescimento dos super – ricos

A expansão da riqueza também se estendeu aos super – ricos do país. O estudo revela que cerca de 43 mil pessoas têm patrimônio entre US 5 milhões e US 100 milhões, com um crescimento médio anual próximo de 10% desde os anos 2000. No último ano, o patrimônio combinado dos bilionários brasileiros cresceu mais de 50%, impulsionado pela valorização dos ativos e pelo aumento do número desses indivíduos.

A UBS destaca que cerca de 73,3% da riqueza bruta das famílias brasileiras está concentrada em ativos financeiros como aplicações e ações. Esse percentual é um dos maiores entre os países analisados e reflete a importância dos ativos financeiros no crescimento da riqueza das famílias mais abastadas no Brasil.