Em 2018, o Brasil enfrentou a histórica greve dos caminhoneiros, que paralisou rodovias e impactou a economia. Uma nova greve pode estar a caminho!
Em 21 de maio de 2018, o Brasil vivenciou o início de um dos episódios mais significativos de sua história: a greve dos caminhoneiros. Após quase uma década desde aquele momento, o governo começa a se atentar para a possibilidade de uma nova greve nacional da categoria.
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O movimento, que teve início em poucos dias, foi liderado por autônomos que bloquearam as principais rodovias do país, deixando um impacto visível em todo o território nacional ao longo de mais de uma semana. A greve surgiu como um protesto contra o aumento do preço do diesel e a política de preços da Petrobras, rapidamente se espalhando por grupos online e aplicativos de mensagens.
Nos primeiros dias, a paralisação ganhou força, com 21 estados tendo rodovias bloqueadas no primeiro dia. O aumento do preço do diesel, que subiu mais de 50% em um ano, foi atribuído à alta do dólar e do petróleo no mercado internacional. Uma semana antes da greve, a ABCam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros) havia protocolado um ofício na Presidência da República, solicitando medidas efetivas do governo para lidar com o aumento constante dos preços.
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No segundo dia, a adesão à greve se expandiu para 24 estados e o Distrito Federal, levando grandes montadoras a suspenderem a produção devido à falta de insumos. O governo, em resposta, anunciou a intenção de eliminar a Cide sobre o diesel.
No terceiro dia, o então presidente da Petrobras, Pedro Parente, anunciou uma redução de 10% no preço do diesel nas refinarias, mas não atendeu ao principal pedido dos caminhoneiros: a isenção do PIS-Cofins. Apesar do anúncio, a greve continuou firme.
No quarto dia, o desabastecimento se tornou crítico em 15 estados e no Distrito Federal, resultando em cancelamentos de voos, aulas e uma escassez de combustíveis.
Com a situação se agravando, o governo de Michel Temer tentou negociar um acordo para suspender a greve por 15 dias, mas muitos caminhoneiros rejeitaram os termos e mantiveram os bloqueios. Nesse contexto, algumas pautas de apoio a uma “intervenção militar” começaram a surgir em certos pontos dos protestos.
No quinto dia, o presidente Temer assinou um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), autorizando as Forças Armadas a desbloquear rodovias. O STF (Supremo Tribunal Federal) também impôs multas pesadas para quem mantivesse as vias obstruídas. No sexto dia, o governo anunciou que a situação estava se normalizando, embora ainda não houvesse um prazo oficial para o fim da greve.
Após uma reunião na Casa Civil, a ABCam concordou em encerrar a greve no sétimo dia, após o governo atender a 12 reivindicações, incluindo a redução do preço do diesel. Contudo, a paralisação continuou. No oitavo dia, o desabastecimento atingiu seu ápice, com mais de 90% dos postos secos em estados como Bahia e Minas Gerais.
No nono dia, a greve começou a perder força, mas ainda havia 616 pontos de concentração de motoristas nas estradas. No décimo dia, após dez dias de caos, a greve se aproximava do fim, com as forças de segurança removendo bloqueios, embora a normalização fosse lenta.
Enquanto isso, os petroleiros iniciaram uma greve de 72 horas, que foi considerada ilegal pela Justiça do Trabalho, mas os trabalhadores decidiram manter a paralisação.
A greve foi oficialmente encerrada em 31 de maio, após o Palácio do Planalto ceder nas negociações. O governo editou três medidas provisórias como parte do acordo: a MP 831/2018, que reservava 30% do frete para cooperativas de transporte autônomo; a MP 832/2018, que instituiu a Política de Preços Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas; e a MP 833/2018, que estendia a dispensa de pagamento de pedágio para caminhões vazios.
Além disso, o preço do diesel foi reduzido por 60 dias.
No dia do encerramento da mobilização, Temer participou de um culto evangélico e comentou sobre as críticas que recebeu por optar pelo diálogo em vez do uso da força. “Graças a Deus, estamos encerrando a greve dos caminhoneiros. Encerrando por meio de uma atitude minha que tem sido criticada, que é o diálogo”, afirmou o então presidente.
Autor(a):
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.