Brasil e Noruega estreitam laços no agronegócio com comércio de US 874,4 milhões até maio de 2026

A crescente parceria entre Brasil e Noruega no agronegócio destaca a importância dos fertilizantes noruegueses para a segurança alimentar brasileira.

fertilizantes

O confronto entre Brasil e Noruega, agendado para este domingo (05), não envolve apenas a disputa em campo, mas também reflete uma relação crescente entre os dois países no setor do agronegócio. Enquanto o Brasil abastece a Noruega com alimentos, o país escandinavo fornece um insumo crucial para a agricultura brasileira: os fertilizantes.

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O Brasil se destaca como um dos maiores produtores de alimentos do planeta, porém, enfrenta uma dependência significativa da importação de nutrientes para suas lavouras. Aproximadamente 85% dos fertilizantes utilizados no território brasileiro são provenientes do exterior.

Essa realidade transforma qualquer tensão geopolítica em motivo de preocupação para o setor agrícola.

Aumento da Dependência de Fertilizantes

Com as crescentes tensões no Oriente Médio neste ano, surgiram receios sobre possíveis interrupções nas rotas marítimas dessa região, especialmente pelo Estreito de Ormuz. Esse estreito é vital para o comércio global de fertilizantes, enxofre e gás natural.

Diante desse cenário, produtores, tradings e importadores brasileiros intensificaram esforços na busca por diversificação de fornecedores a fim de mitigar riscos relacionados ao abastecimento.

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A Noruega se tornou um fornecedor ainda mais relevante nesse contexto. Dados do Comex Stat indicam que, entre janeiro e maio de 2026, a corrente de comércio entre Brasil e Noruega atingiu US874,4 milhões. As exportações brasileiras foram de US 504,9 milhões enquanto as importações totalizaram US369,4 milhões, resultando em um superávit de US 135,5 milhões para o Brasil.

Embora a Noruega não esteja entre os principais parceiros comerciais do Brasil, sua posição na cadeia de suprimentos do agronegócio é significativa. Os adubos e fertilizantes químicos representam 15,3% das importações brasileiras oriundas do país europeu, sendo o segundo item mais adquirido pelos brasileiros após instrumentos e aparelhos de medição.

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Fertilizantes como Prioridade nas Importações

A relevância desses insumos se torna ainda mais evidente ao considerar o cenário nacional atual. Em 2026, os fertilizantes lideram a lista dos produtos mais importados pelo Brasil com gastos que alcançam US 13,4 bilhões. Esse valor supera as despesas com combustíveis, medicamentos e equipamentos industriais.

Esses dados evidenciam a forte dependência do Brasil em relação ao mercado externo para garantir o abastecimento das lavouras que cultivam soja, milho, algodão, café e cana – de – açúcar. A análise histórica do Comex Stat mostra que as compras brasileiras de fertilizantes noruegueses se mantiveram estáveis nos últimos dez anos, acompanhando as variações dos preços internacionais e da demanda agrícola.

No lado das exportações, o Brasil envia principalmente produtos relacionados ao agronegócio e à indústria para a Noruega. Entre os principais itens estão alumina, óleos vegetais, carne bovina, couro, café e frutas. Isso demonstra que as exportações brasileiras são fortemente centradas em commodities e alimentos.

Possibilidades Futuras com Acordo Mercosul – EFTA

A parceria entre Brasil e Noruega pode ganhar novo impulso com o acordo firmado entre o Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre), que inclui Noruega, Suíça, Islândia e Liechtenstein. As negociações foram finalizadas há um ano e em junho deste ano receberam aprovação na Câmara dos Deputados.

O texto agora aguarda análise no Senado Federal.

Este acordo visa reduzir tarifas comerciais e simplificar procedimentos alfandegários enquanto cria cotas de exportação sem impostos. Para o agronegócio brasileiro, há expectativas otimistas quanto ao acesso ampliado aos mercados da EFTA para produtos como carnes bovina, suína e de aves além de café, soja e frutas frescas.

Ao mesmo tempo, espera – se que o tratado fortaleça o comércio industrial entre os países envolvidos.