Brasil e Estados Unidos: Negociações Comerciais em Estágio Crítico e Tarifas em Foco
As negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos enfrentam desafios, com tarifas americanas consideradas remotas para reversão. Entenda os detalhes!
Negociações Comerciais entre Brasil e Estados Unidos
As conversações comerciais entre Brasil e Estados Unidos ainda se encontram em um estágio “incipiente”, e a possibilidade de reverter as tarifas americanas é considerada remota, segundo Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio).
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Azevêdo destacou que ajustes podem ser feitos, mas uma reversão total da situação é improvável. “É muito difícil ver espaço para alteração no curso nesse momento… A possibilidade disso é muito baixa, remota, por melhor que essas negociações possam vir a se desenvolver”, afirmou.
Nesta terça-feira (2), o USTR (Escritório Representante Comercial dos Estados Unidos) acusou o Brasil de “práticas comerciais e políticas injustas” contra Washington, com base em uma investigação da Seção 301 da Lei Comercial americana. “Por definição, as medidas americanas têm que identificar práticas que são desleais, ou consideradas desleais, que prejudicam os interesses da indústria americana”, explicou Azevêdo.
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Ele acrescentou que os EUA estão focados exclusivamente no Brasil durante essa investigação.
Questões em Discussão
Os temas em pauta incluem comércio digital, sistemas de pagamento como o Pix, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol, desmatamento ilegal e proteção da propriedade intelectual. Azevêdo observou que a administração Trump busca contornar a decisão da Suprema Corte que suspendeu parte do tarifaço de abril de 2025.
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A Seção 301 foi considerada um plano B para o caso de a Corte Suprema reverter o tarifaço.
O ex-diretor-geral da OMC também comentou que a situação atual não é uma surpresa, já que os pontos de acusação foram formalizados recentemente. Além disso, a proposta de tarifa de 25% manteve as exceções anteriores, como carne, café e peças de aviação. “O que mudou foi apenas o valor da tarifa, que antes era 40% e agora baixou”, destacou Azevêdo.
Perspectivas de Diálogo
Membros do governo acreditam que a ameaça de novas taxas é uma estratégia para pressionar o Brasil a ceder em várias negociações com os EUA, mas ainda enxergam espaço para diálogo entre Brasília e Washington. Azevêdo ressaltou que, conforme as reuniões avançam, os negociadores brasileiros não precisam se restringir aos pontos levantados pelos EUA na investigação. “A negociação está absolutamente em aberto, ela pode envolver qualquer coisa”, afirmou, enfatizando que “o céu é o limite”.
O Brasil possui grandes reservas minerais, mas enfrenta limitações em sua capacidade de refino. Os Estados Unidos demonstram interesse em aumentar a cooperação bilateral nesse setor, embora as tratativas ainda estejam lentas. Outro ponto a ser considerado é a redução de barreiras comerciais mútuas, como as tarifas brasileiras sobre automóveis e outros produtos.
Azevêdo concluiu que o cenário político pode influenciar as negociações, especialmente em um ano eleitoral, onde a animosidade pode ser utilizada para angariar votos com mais facilidade.