Brasil deve enviar carta à China para reavaliar cotas de importação de carne bovina

Brasil busca renegociar cotas de importação de carne bovina com a China, visando reduzir tarifas e evitar impactos negativos na cadeia produtiva.

10/08/2026 18:00

3 min

Carne bovina à venda em mercado em Pequim
Carne bovina à venda em mercado em Pequim

O governo brasileiro iniciou novas negociações com a China para tentar reduzir as tarifas sobre as cotas de importação. Nos próximos dias, uma correspondência será entregue pessoalmente pela diplomacia brasileira às autoridades do Mofcom (Ministério do Comércio da China.

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O documento propõe uma reavaliação da distribuição das cotas de importação, uma vez que o Brasil já atingiu o limite anual permitido para embarques com tarifa reduzida.

As tratativas envolvem o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), o MRE (Ministério das Relações Exteriores) e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). O governo brasileiro acredita que interromper o fluxo comercial neste momento prejudicaria tanto os exportadores locais quanto os compradores chineses.

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Impacto das tarifas nos exportadores brasileiros

Ao atingir o limite de cotas, os exportadores brasileiros enfrentam uma alíquota de 67%, composta por 12% da taxa já existente mais 55% de taxa extra. Isso inviabiliza os envios para a China. Apesar disso, é importante notar que ainda há espaço disponível para Brasil, Austrália, Argentina e Uruguai na distribuição das cotas.

Fontes próximas ao assunto afirmam que tanto exportadores quanto compradores deverão negociar a divisão do valor da cota para manter os produtos no mercado chinês. A performance do Brasil, com as cotas esgotadas antes do fim do ano, pode fundamentar uma revisão na distribuição das cotas para 2027, refletindo a demanda entre os principais fornecedores da China.

A estratégia do governo mudou de discutir salvaguardas previstas nas regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) para focar em maneiras de mitigar os efeitos dessas tarifas sobre o comércio.

Consequências para a cadeia produtiva

A principal argumentação apresentada pelo Brasil gira em torno dos impactos diretos na cadeia produtiva. Frigoríficos programam abates e logística meses antes dos embarques. Uma interrupção abrupta nas vendas para a China exigiria que empresas redirecionassem sua produção para outros mercados e renegociassem contratos, afetando toda a operação comercial.

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Além disso, muitas plantas frigoríficas brasileiras produzem quase exclusivamente para o mercado chinês, tornando essa paralisação ainda mais crítica. O governo avalia que essa interrupção poderia resultar em um desabastecimento temporário no setor devido à natureza perecível dos produtos envolvidos.

Ampliação de produtos autorizados

A ofensiva brasileira também busca expandir a lista de produtos autorizados a entrar no mercado chinês. Recentemente, Brasil e China finalizaram negociações sobre um produto utilizado na indústria farmacêutica e na medicina tradicional chinesa, que possui alto valor agregado.

Além disso, em junho, a China reconheceu o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação. Isso abre portas para exportações de insumos como couro wet blue e miúdos, produtos que podem ser comercializados sem competir diretamente com a cota destinada à carne bovina.

A segurança alimentar nas negociações

O governo brasileiro acredita que a China tem interesse em manter o Brasil como um dos principais fornecedores de carne bovina. Nos bastidores das negociações, interlocutores ressaltam que a segurança alimentar é uma prioridade para Pequim. Portanto, uma interrupção prolongada das compras brasileiras não seria vantajosa para o país asiático.

Ainda assim, membros do governo reconhecem que uma interrupção no fluxo comercial pode impactar o abastecimento nos próximos meses. Caso frigoríficos brasileiros comecem a direcionar parte da produção para outros mercados, isso poderá influenciar diretamente na inflação no Brasil.

A China consome cerca de 11 milhões de toneladas de carne bovina anualmente, mas produz apenas cerca de 8 milhões. Com isso em mente, espera – se que as discussões sobre as cotas levem em conta o comportamento da demanda observada neste ano. No entanto, integrantes do governo reforçam que qualquer decisão depende exclusivamente da posição chinesa e evitam criar expectativas quanto aos resultados das negociações.

Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.

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