Brasil concentra 80% dos casos de doenças tropicais negligenciadas do mundo

Brasil enfrenta desafios contínuos na erradicação das doenças tropicais negligenciadas, com metas ambiciosas de eliminação até 2030.

ministro da saúde – padilha

O Brasil figura entre os 16 países que concentram 80% dos casos de doenças tropicais negligenciadas (DTNs) em todo o mundo. A informação foi divulgada nesta segunda – feira (17) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante uma conferência no 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MEDTROP 2026), realizado em Brasília.

Esses dados fazem parte de uma análise realizada pelo Ministério da Saúde, que monitora um conjunto de doenças tropicais negligenciadas. Essa lista inclui doenças como malária, doença de Chagas, leishmanioses, hanseníase, tuberculose, esquistossomose, geo – helmintíases, tracoma, oncocercose, filariose linfática e raiva humana.

O foco do ministério é a eliminação dessas doenças até 2030 por meio do Programa Brasil Saudável, que prioriza 209 municípios com alta carga dessas enfermidades.

Resultados Recentes e Avanços no Tratamento

No balanço referente ao ano de 2025, os números trazem boas notícias para a saúde pública brasileira. O país registrou a menor quantidade de casos de DTNs nos últimos 48 anos e uma queda superior a 50% nos casos na Terra Indígena Yanomami. Essas estatísticas refletem os esforços contínuos do governo no combate às doenças tropicais.

Além disso, a hanseníase mostrou resultados positivos: 81,3% dos municípios brasileiros não reportaram novos casos em crianças menores de 15 anos nos últimos cinco anos. Em relação à tuberculose, observou – se um aumento significativo na cobertura do tratamento, que saltou de 4,3% para 63%.

Esses avanços indicam uma melhoria considerável nas condições de saúde da população.

A oncocercose, conhecida popularmente como “cegueira dos rios” ou “mal do garimpeiro”, também apresentou resultados promissores. A cobertura do tratamento coletivo subiu de 68% para 85,4% em 2025. Durante sua apresentação, o ministro Padilha destacou esses progressos como reflexo das políticas públicas implementadas.

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Desafios Persistentes e Metas Futuras

Apesar dos avanços significativos na luta contra as DTNs, alguns desafios ainda permanecem. O ministro mencionou durante sua fala a eliminação da transmissão vertical do HIV no Brasil já certificada pelas autoridades competentes. No entanto, o mesmo não pode ser dito em relação à transmissão vertical da sífilis; esta continua sendo a principal pendência enfrentada pelo país atualmente.

Outro aspecto abordado foi a hepatite B. Em julho deste ano, o Ministério da Saúde enviou à Organização Pan – Americana da Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS) um dossiê oficial solicitando a validação do Brasil como país livre da transmissão vertical dessa doença.

Diante desse cenário complexo e multifacetado das DTNs no Brasil, o governo se mantém comprometido com as metas estabelecidas para os próximos anos. A expectativa é que as iniciativas continuem avançando na eliminação das doenças tropicais até o ano de 2030 e contribuam para uma saúde mais equitativa e acessível a todos os brasileiros.