Brasil cai para 65º lugar no Ranking Mundial de Competitividade 2026, o pior nível em anos

O Brasil registrou uma queda de sete posições no Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em colaboração com a Fundação Dom Cabral, e divulgado na última quinta-feira, 18 de maio. Com essa mudança, o país ocupa o 65º lugar entre 70 economias avaliadas, atingindo o pior nível em anos recentes.
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Queda na Produtividade e seus Impactos
Um estudo realizado pelo FGV Ibre aponta um declínio de 0,5% na produtividade por horas trabalhadas no primeiro trimestre deste ano. Essa tendência negativa já preocupa especialistas há décadas. Além disso, indicadores que analisam as horas trabalhadas e a população ocupada mostraram avanços modestos de apenas 0,5% e 0,4%, respectivamente.
Em entrevista à CNN Brasil no último domingo, 21 de maio, o colunista Gilvan Bueno destacou que essa baixa produtividade está diretamente ligada à escassez de mão de obra qualificada no Brasil.
“Estamos falando muito sobre Inteligência Artificial atualmente, mas a falta de profissionais capacitados dificulta o crescimento desse setor”, afirmou Bueno. Ele ressaltou que o investimento do Brasil em educação é significativamente inferior ao de outras nações que figuram nas primeiras posições do ranking.
O país destina apenas 5% do seu Produto Interno Bruto (PIB) para a educação, enquanto a Suíça, que ocupa o terceiro lugar na lista, investe consideravelmente mais.
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A Estrutura Econômica e os Desafios para a Indústria
Bueno também apontou que essa realidade impõe desafios às empresas brasileiras em termos de produção e recrutamento de mão de obra qualificada. A indústria nacional tem enfrentado dificuldades nas últimas duas décadas e meia devido a essa situação.
Ele acrescentou que os ganhos de produtividade são essenciais para sustentar o crescimento do PIB, mas isso resulta em um avanço instável.
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Segundo o especialista, a expansão da economia brasileira depende fortemente das commodities e de estímulos temporários como programas de transferência de renda e incentivos fiscais. A estrutura econômica atual mostra que entre 20% e 25% do PIB é gerado pela agropecuária, enquanto apenas 5% provém da indústria.
Além disso, muitos empregos estão concentrados em setores com baixa remuneração.
A economista Carla Beni, do Conselho Regional de Economia do Estado de São Paulo (Corecon-SP) e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), identificou outro obstáculo à competitividade brasileira: o alto custo do capital impulsionado pela taxa Selic elevada.
Ela explicou durante uma entrevista à CNN Brasil que essa taxa dificulta investimentos, colocando as empresas em uma posição desfavorável.
Ainda que a Selic tenha sido reduzida para 14,25%, abaixo dos 15% registrados no final do ano passado até março deste ano, Beni considera esse patamar alarmante. Isso se relaciona ao elevado endividamento e à inadimplência das famílias no Brasil. “A taxa Selic permanece alta desde 2022, com uma taxa real superior a 9%.
Esse é um fator central que inviabiliza tanto as empresas quanto as famílias”, concluiu Beni. Atualmente, estima-se que cerca de 81,6% das famílias brasileiras enfrentem algum tipo de dívida.
Autor(a):
Ricardo Tavares
Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.



