Brasil busca novos elo com Brics em fórum civil na Índia

Brasil busca novos elo com Brics em fórum civil promovendo debate sobre arquitetura internacional.

Bandeiras de parte dos países que compõem o Brics

O Fórum Civil dos Brics reuniu mais de oitenta representantes da sociedade civil global entre os dias 17 e 18 de agosto de 2026 na Índia capital (Delhi). O encontro foi organizado pelo Research and Information System for Developing Countries (RIS) em preparação para a Cúpula oficial, marcada para os dias 12 e 13 de setembro.

Este evento anual dá continuidade aos trabalhos do Conselho e é presidido pela Índia no âmbito do bloco BRICS. A iniciativa busca um espaço contínuo onde grupos acadêmicos, ONGs e movimentos populares possam influenciar diretamente as propostas concretas que guiarão o desenvolvimento dos países membros: Brasil, Rússia, China, África do Sul, Indonésia, Irã e Índia.

Debates sobre nova arquitetura internacional

O Fórum Civil opera por meio de Grupos de Trabalho (GTs) temáticos — como Educação, Ecologia, Saúde, Cultura, Soberania Digital e Finanças —, reunindo especialistas para discutir os desafios mais urgentes da atualidade. Os temas centrais abordados incluíram a governança digital avançada, respostas à crise climática global e modelos cooperativos focados no ser humano em detrimento das estruturas econômicas tradicionais.

Os participantes apontaram que as instituições criadas após o fim da Segunda Guerra Mundial mostram – se insuficientes diante dos problemas contemporâneos; desde crises migratórias até questões socioambientais complexas. Por isso, há um crescente apelo por uma nova arquitetura internacional liderada pela sociedade civil organizada do Sul Global.

A força de cooperação sul – sul

Durante os dois dias na Índia, foi enfatizada a importância não apenas pelos acordos governamentais ou tratados comerciais formais. Fabiano Mielniczuk, conselheiro e professor da UFRGS, destacou essa visão ao afirmar que são “os laços entre nossos cidadãos, pesquisadores, trabalhadores, artistas e líderes sociais” o elemento real capaz de fortalecer a integração dos países membros.

O bloco BRICS é visto como um ator estratégico diante das transformações econômicas mundiais e transição em curso para uma nova ordem internacional.

Contribuições temáticas do Brasil no Fórum

A delegação brasileira levou à Índia debates robustos sobre os desafios enfrentados pelos Brics na conjuntura global. O grupo contou com oito delegados representando diversas frentes: Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Cebrapaz, além da UFRGS, UFPR, brics Arts Association e o próprio BRICS Policy Center.

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Marina Oliveira, representante do MAM e coordenadora do GT de Ecologia, ressaltou que a concentração mundial em recursos naturais — como água, petróleo, gás e minerais estratégicos —, confere aos países membros “recursos necessários para construir uma verdadeira transição ecológica popular”.

A soberania tecnológica também foi um ponto chave. Carol Cruz, coordenada no tema Digital, apontou dados relevantes ao mencionar que hoje os Brics concentram 40% do público digital globalmente; essa cooperação pode ampliar drasticamente a autonomia tecnológica dos respectivos estados – membros.

Direitos sociais: saúde, educação e cultura

Os debates se estenderam por setores vitais da vida social. No GT de Educação, Andrea Gouveia (UFPR) defendeu o compromisso em garantir este direito como oferta pública para todas as pessoas, valorizando sempre “a diversidade das nossas experiências educacionais”.

Em relação à Saúde Pública, Célia Medina, representando Cebrapaz, reforçou que os sistemas devem ser gratuitos e públicos, garantindo equidade ao priorizar especialmente grupos mais vulneráveis. Já a área cultural foi abordada com Sergio Cohn, do brics Arts Association, quem propôs estruturar um “Fundo de Cultura dos Brics”, visando fortalecer o diálogo artístico entre nações. A delegação brasileira também recebeu elogios por Moara Crivelente (Cebrapaz), citando seu compromisso em promover uma solidariedade sul – sul ativa. Perspectivas futuras para o Conselho Civil

Judite Santos avaliou as expectativas sobre futuros encontros: embora não tenha havido continuidade imediata nos diálogos oficiais após entrega das recomendações pelo conselho civil aos negociadores principais, a presença inicial do Sherpa da Índia reforçou sua importância no evento.

Ela relembrou que houve um avanço significativo durante 2025 na presidência brasileira. A expectativa agora é de avançar ainda mais nesse diálogo com foco especial quando for realizada a presidência chinesa em 2027; há interesse crescente por maior relevância e até financiamento público chinês para o Fórum Civil.