Brasil Busca Edificar Cadeia de Valor de Terras-Raras

Brasil busca consolidar cadeia de valor de terras-raras, impulsionada por interesse europeu e americano, com foco no Projeto Colossus em Minas Gerais

24/06/2026 14:11

4 min

O CEO da Viridis, Rafael Moreno, afirma que o Brasil precisa priorizar a mineração antes de olhar para novas etapas da cadeia | Divulgação/Viridis
O CEO da Viridis, Rafael Moreno, afirma que o Brasil precisa pri...

O Brasil necessita de tempo e paciência para edificar uma cadeia de valor completa, que abranja desde a mineração até o processamento e o refino de terras-raras, afirmou o CEO da Viridis, Moreno, durante o 2º Fórum de Investimentos Brasil-União Europeia.

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O evento, realizado pela ApexBrasil na 3ª feira, 23 de junho de 2026, sublinhou a urgência de o setor industrial brasileiro compreender e desenvolver todas as etapas necessárias para explorar o vasto potencial mineral do país. O Brasil é reconhecido por potências como os Estados Unidos e a União Europeia como uma fonte alternativa crucial para suprir materiais, atualmente dominados pela China, que detém mais de 90% do controle da cadeia internacional desses minerais críticos.

Desenvolvimento da Cadeia de Valor e o Potencial Mineral Brasileiro

Moreno enfatizou que os materiais de terras-raras são indispensáveis para a fabricação de equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas, sistemas de defesa e veículos elétricos modernos. Ele comparou o ritmo de desenvolvimento do setor, alertando que o sucesso não pode ser alcançado em meses, mas sim em um período de décadas. “A China, por exemplo, levou um período de vinte anos para que sua cadeia de valor funcionasse; não foi um processo de dois meses”, pontuou o executivo, defendendo uma abordagem mais ponderada e estratégica.

A mineradora australiana Viridis, por meio de seu Projeto Colossus, é apontada como uma das iniciativas mais promissoras no setor, planejando a exploração de uma jazida em Poços de Caldas, Minas Gerais. O interesse estrangeiro por esses recursos tem impulsionado o debate entre autoridades governamentais e legislativas, que passaram a pressionar por avanços em etapas como o beneficiamento e o refino, e não apenas pela simples extração da matéria-prima.

Em resposta a esse crescente interesse internacional, o Congresso e o governo federal avançaram com a criação da Política Nacional dos Minerais Críticos, um movimento que visa estruturar o setor. Contudo, o CEO Moreno reforçou que, apesar dos esforços legislativos, é fundamental que o ecossistema industrial entenda que a mineração deve ser o ponto de partida. “É importante que o mercado compreenda que, se você busca uma cadeia de valor robusta, o fabricante de ímãs ou a metalização não virão ao Brasil se não houver mineração.

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O modelo de negócios deve começar por aí”, declarou.

Parcerias Estratégicas entre Brasil e União Europeia

O executivo também defendeu o estabelecimento de colaborações profundas entre o Brasil e a União Europeia. Segundo sua análise, é possível que os países atuem em conjunto, combinando o enorme potencial geológico brasileiro com a tecnologia e o conhecimento de jurisdições europeias. “Muitas pessoas pensam que a China foi pioneira em todo o processamento e na compreensão da cadeia de valor.

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No entanto, a Europa foi quem ensinou a técnica de separação”, argumentou Moreno, sugerindo um modelo de negócios mutuamente benéfico.

Essa visão de cooperação encontra eco na posição de Jozef Síkela, comissário de Parcerias Internacionais do bloco europeu. Síkela visitou o evento e manifestou, em conversas com jornalistas, o interesse do bloco em estabelecer parcerias com o Brasil, visando contribuir ativamente com as atividades de refino e processamento de materiais na indústria nacional.

A necessidade de integração do setor foi reforçada pela própria Viridis, que já está engajada no desenvolvimento da cadeia de valor, demonstrando que o movimento de incentivo das autoridades brasileiras está alinhado com as práticas do setor privado.

O diálogo entre o setor produtivo e o legislativo busca transformar o Brasil em um potencial líder global nesse segmento estratégico.

A paciência e o planejamento estratégico são, portanto, os pilares que permitirão ao Brasil capitalizar seu potencial mineral, estabelecendo-se como um fornecedor confiável e um centro de processamento de materiais críticos para o cenário global.

Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.

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