Brasil avança em 71% dos indicadores de desigualdade, mas concentração de renda aumenta em 2026

O aumento da concentração de renda evidencia a persistência de desigualdades estruturais, mesmo com avanços em diversos indicadores sociais no Brasil.

12/08/2026 14:06

4 min

O índice também é composto por experiências violentas contra pessoas próximas ao próprio círculo social
O índice também é composto por experiências violentas contra pes...

O Brasil apresentou um avanço em 71% dos indicadores atualizados na edição de 2026 do Observatório Brasileiro das Desigualdades. No entanto, o país também observou um aumento na concentração de renda e a permanência de desigualdades estruturais relacionadas a gênero, raça, moradia e território ao longo dos períodos analisados.

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O relatório abrange diversos aspectos, incluindo trabalho, renda, segurança alimentar, educação, saúde e acesso a serviços básicos. Além disso, ele destaca que 16% dos indicadores tiveram uma piora e 13% permaneceram praticamente estáveis.

Avanços no mercado de trabalho e na renda

Entre os dados positivos, o mercado de trabalho se destacou com a taxa de desocupação caindo para 5,6% em 2025. Nesse mesmo ano, o rendimento médio real alcançou R 3.376, representando um crescimento de 5,3% em comparação ao ano anterior. A redução da parcela da população com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo também foi notável; essa proporção caiu de 25,4% em 2024 para 24,7% em 2025.

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No que diz respeito à renda mais baixa, aqueles que recebem até um quarto do salário mínimo passaram de 8,2% para 7,9%. Apesar desses avanços gerais, as regiões Norte e Nordeste continuam sendo as que apresentam as maiores proporções da população nessas faixas de renda.

Aumento na renda não ocorreu uniformemente entre os grupos. O rendimento médio dos homens subiu 5,8%, enquanto o das mulheres teve uma alta de 4,8%. Assim, a razão entre os rendimentos médios ficou em 72,2%, uma leve queda em relação aos 73% registrados em 2024.

A diferença racial é alarmante: o rendimento médio das mulheres negras foi de R 2.184 contra R 5.172 dos homens não negros em 2025.

Crescimento da concentração de renda

Apesar das melhorias nos indicadores relacionados ao emprego e à renda média, a distância entre os mais ricos e os mais pobres aumentou. Em 2024, o rendimento médio do 1% mais rico era 30,2 vezes superior ao dos 50% mais pobres; esse número subiu para 31,5 vezes em 2025 — um incremento significativo.

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A tributação sobre a renda também continua regressiva nas faixas mais altas. De acordo com o relatório, a carga efetiva do Imposto de Renda é proporcionalmente menor entre aqueles com rendimentos mais altos devido à composição dos ganhos que incluem lucros e dividendos.

Recentemente foram implementadas mudanças na tributação da renda: ampliação da faixa isenta para quem ganha até R 5 mil mensais e maior taxação sobre rendas anuais superiores a R 600 mil.

Melhorias na educação e segurança alimentar

O relatório ainda aponta avanços significativos nos indicadores sociais. A taxa de analfabetismo entre pessoas com mais de 15 anos caiu de 5,3% em 2024 para 4,9% em 2025. Essa redução foi observada na maioria das grandes regiões do país exceto no Centro – Oeste.

Embora as taxas tenham diminuído nacionalmente, as disparidades regionais são evidentes: no Nordeste, a taxa permanece alta em torno de 10,6%, enquanto Sul e Sudeste têm taxas muito inferiores — respectivamente de 2,4% e 2,3%. As disparidades raciais também são preocupantes: a taxa entre negros é de 6,5%, enquanto entre não negros é apenas de 2,8%.

No campo da segurança alimentar houve uma queda no número da população enfrentando insegurança alimentar moderada ou grave. Também foram observadas reduções nos índices relacionados à desnutrição infantil e entre idosos.

Desigualdades persistem

As desigualdades raciais permanecem visíveis em múltiplos indicadores analisados pelo levantamento. Em dados recentes, cerca de 56% da população brasileira se declarou negra; no entanto, negros e negras representam aproximadamente 70% da população prisional — uma discrepância alarmante que mostra que sua participação no sistema prisional é significativamente maior do que na população geral.

Diversas regiões ainda enfrentam problemas graves como pobreza extrema e falta de acesso a serviços básicos. Norte e Nordeste concentram as maiores taxas nesses indicadores negativos enquanto Sul e Sudeste tendem a ter melhores resultados nas áreas analisadas.

Desafios nas áreas urbanas e ambientais

No contexto urbano, o estudo revelou um aumento no ônus excessivo com aluguel além do crescimento do número de pessoas vivendo em áreas com risco geológico. Estima – se que cerca de 4,7 milhões estão expostas a esse risco em condições precárias.

Por outro lado, as emissões de gases do efeito estufa mostraram redução assim como o desmatamento nas áreas avaliadas pelo estudo. Esse contraste entre melhorias ambientais e o aumento da população exposta a riscos urbanos ressalta os desafios que o Brasil enfrenta para garantir igualdade social enquanto busca desenvolver sustentabilidade ambiental.

A análise final do Observatório evidencia um cenário misto: embora muitos indicadores mostrem progresso — especialmente nas áreas trabalhistas e sociais — as desigualdades relacionadas à raça e gênero continuam sendo uma preocupação séria no país.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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