Boa Safra reverte prejuízo e lucra R 2,67 milhões no segundo trimestre de 2026

Boa Safra surpreende com lucro no segundo trimestre, destacando-se em um setor agrícola desafiador e sinalizando recuperação financeira e estratégica.

CEO da Boa Safra, Marino Colpo.

A Boa Safra, empresa dedicada à produção, beneficiamento e comercialização de sementes, divulgou nesta sexta – feira (14) seu balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2026. A companhia reportou um lucro líquido consolidado de R 2,67 milhões, revertendo o prejuízo de R 2,74 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.

O CEO da Boa Safra, Marino Colpo, destacou que esse resultado é incomum para a época do ano, uma vez que normalmente a maior parte do retorno financeiro ocorre no segundo semestre. “Os primeiros dois trimestres são coadjuvantes e nossos resultados estão concentrados no segundo semestre.

Dentro da possibilidade, entregamos um segundo trimestre muito bom, considerando as dificuldades enfrentadas pelo setor agro, especialmente no segmento de sementes”, comentou.

Desempenho financeiro e estratégia

A receita líquida da empresa alcançou R124,6 milhões neste trimestre, marcando um crescimento de 23% em relação aos R 101,2 milhões registrados no mesmo período de 2025. Colpo ressaltou que a Boa Safra conseguiu manter um desempenho positivo em meio aos desafios do setor agrícola. “O lucro não é comum nesse período.

Mesmo assim conseguimos gerar caixa e nossas despesas foram menores. O uso de caixa foi mais eficiente junto aos fornecedores”, afirmou.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado totalizou R 27,6 milhões, apresentando um aumento expressivo de 504% em comparação ao mesmo recorte do ano anterior, quando o indicador foi de R 4,58 milhões. Para o CEO, essa evolução reflete uma mudança na estratégia após o crescimento superior a 30% registrado no ano passado. “Nosso foco agora é recuperar as margens enquanto mantemos nossa participação no mercado”, enfatizou.

A dívida líquida consolidada da Boa Safra caiu para R620 milhões, uma redução de 23% em relação aos R 800 milhões do mesmo trimestre em 2025. Esse movimento decorre da geração operacional de caixa e do fortalecimento das aplicações financeiras que compensaram o aumento do endividamento bruto resultante das emissões de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA.

Leia também

Oportunidades no mercado e liquidez

Colpo também comentou sobre como o aumento dos pedidos de recuperação judicial entre concorrentes abre espaço para a Boa Safra ampliar sua atuação e se distanciar da concorrência. “A crise de liquidez com recuperações judiciais ampliou nossa distância para concorrentes; vemos isso como uma oportunidade porque nossa liquidez é boa.

Além disso, eventos climáticos diminuíram a oferta no setor e conseguimos melhores preços”, disse.

Felipe Marques, CFO da Boa Safra, destacou a importância da estrutura financeira adotada pela empresa para garantir a liquidez das operações. “Nos orgulhamos da estrutura que montamos para assegurar a liquidez financeira”, afirmou. Ele revelou que mais de 95% da dívida é de longo prazo, o que aumenta as despesas mas também mantém a receita estável. “Percebemos que era saudável manter a liquidez da companhia e dentro desse cenário honramos nossos compromissos”, acrescentou.

A diversificação das atividades também foi um ponto ressaltado por Marques como essencial para gerar novas receitas e mitigar os efeitos da sazonalidade. “Continuamos com uma estratégia impactante nos resultados financeiros e priorizamos a qualidade até mesmo nas operações”, destacou.

Crescimento contínuo na carteira de pedidos

No fechamento do mês de junho, a carteira de pedidos da Boa Safra atingiu R 1,8 bilhão, estabelecendo um novo recorde com um crescimento de 4% em relação ao mesmo trimestre em 2025. A empresa pretende concluir o beneficiamento até dezembro e transformar esses pedidos em caixa com disciplina na otimização dos custos e na alocação de capital.

Marques ainda reiterou que a demanda por sementes permanece forte: “Não há previsão significativa de redução na área plantada no Brasil.” Ele concluiu afirmando que a capacidade da empresa em honrar compromissos é fundamental para atrair novos negócios. “Temos margens porque todos querem negociar com quem cumpre contratos e é confiável; isso tem um custo, mas conseguimos apresentar resultados positivos”, finalizou.