Beira Rio: obra rodoviária custa R$ 235 milhões em João Pessoa

A Prefeitura Municipal de João Pessoa anunciou o projeto do Complexo Viário Beira Rio, um investimento que totaliza R$ 235 milhões e visa modernizar a infraestrutura rodoviária da capital paraibana.
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No entanto, especialistas em urbanismo apontam sérias críticas ao plano: além dos viadutos propostos pela gestão pública — como parte das medidas contra engarrafamentos—, há uma preocupação crescente com os impactos ambientais no ecossistema do rio Jaguaribe e falta de diálogo comunitário no processo decisório.
O anúncio oficial ocorreu no dia 1º de abril passado (referência temporal mantida.
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Contradições entre o Plano Diretor e obras viales
O projeto levanta questionamento sobre as diretrizes mestras que regem a cidade. Enquanto o Plano Diretor enviado pela Prefeitura Municipal de João Pessoa à Câmara estimula forte verticalização, aprovando torres residenciais repletas até mesmo de vagas para garagem, surge agora essa proposta maciça em infraestrutura rodoviária.
Essa aparente contradição técnica é apontada como uma falha no planejamento urbano geral: tentar resolver problemas gerados por incentivos imobiliários com grandes intervenções viárias pode ser visto apenas superficialmente pela população comum.
Falta de diálogo e impacto ambiental na obra
Uma das maiores críticas ao Complexo Viário Beira Rio reside justamente nos bastidores da sua criação. Uma iniciativa desse porte deveria ter sido fruto do debate técnico amplo; contudo, o projeto foi desenhado nas secretarias municipais sem a participação efetiva dos acadêmicos ou especialistas em urbanismo local.
As comunidades que viverão diretamente perto dessa construção também não foram devidamente informadas nem tiveram espaço garantido para serem ouvidas sobre as transformações no território. Por essa razão, até mesmo o Ministério Público da Paraíba promoveu uma audiência pública relacionada à matéria nesta sexta-feira (24.
O modelo rodoviarista e os desafios de mobilidade
Urbanistas alertam ainda contra um erro clássico do planejamento: construir mais vias apenas atrai carros particulares demais; isso gera saturação nos horários de pico sem resolver a causa raiz dos engarrafamentos.
Enquanto grandes centros globais priorizam modelos que valorizam pessoas, transporte coletivo eficiente ou ciclovias seguras — algo possível com parte desses R$ 235 milhões—, João Pessoa parece insistir em métodos ultrapassados. O plano ignora o aumento da frota particular induzido pela verticalização acelerada na cidade.
Além disso, há dúvidas sobre como será tratado o impacto ambiental no ecossistema sensível das margens do rio Jaguaribe e se as ciclovias previstas serão realmente implementadas nesse traçado rodoviário maciço de Beira Rio.
Atualização em 29/10/2026: o texto foi corrigido com base na fonte original.
Editoria:
Redação Política
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