Baterias Elétricas e Fertilizantes: A Competição pelo Fosfato Aumenta no Mercado Global

Impacto das Baterias Elétricas no Mercado de Fertilizantes
O desenvolvimento de baterias e veículos elétricos está gerando efeitos em um setor que, à primeira vista, parece distante da indústria automotiva: o mercado de fertilizantes agrícolas. Essa conexão se dá pelo fosfato, uma matéria-prima utilizada há décadas na fabricação de adubos, que agora se tornou um componente essencial em um tipo de bateria cada vez mais adotado pelas montadoras de veículos elétricos.
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Assim, a agricultura e a transição energética passaram a competir pelo mesmo recurso mineral.
O fósforo é um nutriente vital para o crescimento das plantas e não possui substituto na agricultura. Ele é amplamente utilizado na produção de fertilizantes, fundamentais para culturas como soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. Atualmente, cerca de 95% do fosfato extraído globalmente ainda é destinado ao setor agrícola.
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Aproximadamente 85% desse total é utilizado na fabricação de fertilizantes fosfatados, enquanto 10% vai para ração animal e aditivos alimentares.
Crescimento da Indústria de Baterias
Uma parcela crescente do fosfato está sendo redirecionada para a indústria de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP). Esse tipo de bateria ganhou destaque nos últimos anos, especialmente na China, que é o maior mercado de veículos elétricos do mundo.
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As baterias LFP utilizam ferro e fosfato em vez de metais como níquel e cobalto, o que resulta em redução de custos e maior segurança operacional. A participação das baterias LFP no mercado global de veículos elétricos aumentou de cerca de 10% em 2020 para aproximadamente 40% em 2025, de acordo com estimativas do setor.
Além dos veículos elétricos, essas baterias também estão sendo empregadas em sistemas de armazenamento de energia, telecomunicações e automação industrial. Isso gera uma nova demanda por fosfato que cresce em um ritmo muito mais acelerado do que a capacidade de expansão da oferta mineral.
Projeções e Mudanças no Mercado
Um relatório da First Phosphate Corp, empresa canadense, indica que cerca de 90% do fosfato extraído globalmente é atualmente destinado à produção de fertilizantes. O documento também prevê um crescimento acelerado do mercado de baterias, sugerindo a formação de uma indústria avaliada em bilhões de dólares e uma migração gradual da cadeia de mineração para aplicações no setor de tecnologia.
O relatório menciona empresas tradicionais de fertilizantes, como Itafos, Nutrien e Mosaic, para destacar o modelo de negócios da First Phosphate, que se concentra exclusivamente no fornecimento de insumos para baterias elétricas na América do Norte.
Embora o mercado agrícola ainda seja significativamente maior, a indústria de baterias tende a crescer mais rapidamente e pode oferecer preços mais altos pela matéria-prima. Isso ocorre porque o setor automotivo lida com produtos de maior valor agregado e contratos mais previsíveis, ao contrário do mercado agrícola, que é frequentemente afetado por volatilidade climática e de preços.
Consequências para o Agronegócio
O preço do enxofre por tonelada subiu de cerca de US$ 100 há dois anos para mais de US$ 500 em 2026, impulsionado por uma demanda forte, gerada por esse novo mercado consumidor em expansão. A Itafos também mencionou que a demanda de mercados não tradicionais, como as baterias LFP, continuará a ocupar uma fatia crescente da oferta total, indicando fundamentos de mercado positivos para os próximos anos.
Desafios e Mudanças Estruturais
Para o agronegócio, a preocupação não é apenas com a falta física de produto no curto prazo, mas com a instabilidade no abastecimento e nos preços. Essa pressão já é visível no mercado internacional. Em 2022, os preços dispararam devido à guerra entre Rússia e Ucrânia, problemas logísticos causados pela pandemia e restrições chinesas às exportações.
Ao mesmo tempo, a demanda da indústria de baterias continuava a crescer.
Com a guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro, o mercado de fosfatados enfrentou uma nova alta de preços, impulsionada pelo aumento do preço do enxofre. Na América do Norte, empresas já estão investindo em plantas de ácido fosfórico purificado destinadas exclusivamente à cadeia de veículos elétricos.
Essa situação reforça uma mudança estrutural no mercado de fertilizantes, onde minerais historicamente associados apenas à produção agrícola se tornaram estratégicos também para a transição energética.
Para o setor agrícola, isso significa que o custo e a disponibilidade de insumos poderão depender cada vez mais não apenas da demanda por alimentos, mas também do crescimento da indústria global de baterias e veículos elétricos.
Autor(a):
Lara Campos
Com formação em Jornalismo e especialização em Saúde Pública, Lara Campos é a voz por trás de matérias que descomplicam temas médicos e promovem o bem-estar. Ela colabora com especialistas para garantir informações confiáveis e práticas para os leitores.



