Banco Mundial de Sementes em Svalbard: Ameaça Climática e o Futuro da Alimentação

Banco Mundial de Sementes: Um “seguro” global contra o risco de colapso agrícola! Localizado em Svalbard, Noruega, abriga um milhão de sementes de 5 mil

(Imagem de reprodução da internet).

Banco Mundial de Sementes: Um Seguro Global para a Biodiversidade Agrícola

Localizado no remoto arquipélago norueguês de Svalbard, no círculo polar, o Banco Mundial de Sementes é um projeto audacioso que visa garantir a segurança alimentar da humanidade. Este “paiol do fim do mundo” ou “arca de Noé” para vegetais abriga mais de um milhão de amostras de sementes de cerca de cinco mil espécies de plantas de todo o planeta.

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Essas reservas estratégicas são criadas para enfrentar um possível colapso global das safras, causado por eventos como guerras ou mudanças climáticas drásticas.

Inaugurado em 2008, o banco de sementes é fruto de uma parceria entre o governo norueguês, por meio do NordGen, e a organização não governamental Crop Trust. As sementes são armazenadas a uma temperatura constante de -18°C, considerada o padrão internacional para preservar sua viabilidade por milhares de anos.

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O Brasil enviou sua primeira remessa de sementes em 2012, através da Embrapa, com o envio de espécies de milho e arroz, em um acordo com o Real Ministério de Agricultura e Alimentação da Noruega.

A Embrapa e o Banco Genético Nacional

A Embrapa mantém um banco genético com cerca de 130 mil amostras de sementes, além de microrganismos, sêmen e embriões de animais, no Brasil. Este é o maior banco de recurso genético da América Latina e o quinto maior do mundo. A participação brasileira no Banco Mundial de Sementes está alinhada aos compromissos assumidos pelo país em tratados internacionais de conservação da biodiversidade, garantindo que o material enviado para Svalbard também possua uma duplicata conservada na Colbase da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.

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Desafios e Perspectivas

O biólogo Marcos Aparecido Gimenes, coordenador técnico do Sistema de Curadorias de Germoplasma da Embrapa, destaca que a adesão do Brasil à estratégia do Banco Mundial “funciona como um seguro global da biodiversidade agrícola”. Ele enfatiza a importância de manter cópias de segurança das sementes mais importantes do país, protegendo-as de desastres naturais, mudanças climáticas, guerras ou falhas nos bancos genéticos nacionais.

No entanto, a Via Campesina Internacional defende que as sementes são patrimônio da humanidade, e não de governos ou empresas, e que as nações precisam ter soberania alimentar.

A Crise Alimentar e o Banco de Sementes

Em 2015, o banco genético da cidade de Aleppo, na Síria, foi bombardeado durante um conflito civil, levando pesquisadores a solicitar exemplares de trigo, cevada e grama para dar continuidade às suas pesquisas e garantir o futuro alimentar da população.

A crise na Síria, ainda em curso, demonstra a vulnerabilidade da produção de alimentos diante de conflitos armados e mudanças climáticas. O Banco Mundial de Sementes surge como uma estratégia para mitigar esses riscos, mas também levanta questões sobre quem realmente se beneficia dessa iniciativa.

Svalbard: Um Refúgio Climático

As ilhas de Svalbard, que já foram consideradas “terra de ninguém”, oferecem um ambiente ideal para o armazenamento das sementes devido ao seu clima glacial. A temperatura constante e a umidade garantem que as sementes permaneçam em estado de dormência por séculos, prontas para serem utilizadas em caso de necessidade.

Em 2016, o aquecimento climático ameaçou o futuro do banco, com chuvas intensas e derretimento do gelo de Svalbard, mas o governo da Noruega reforçou as paredes da estrutura, confirmando o impacto das mudanças climáticas em regiões remotas do planeta.