Banco Master investiga laços com Caixa Asset e empresário Mourão

O fundador do Banco Master, Luiz Phillipi Mourão, e o próprio empresário, receberam em 18 de julho de 2024 alertas de uma investigação sigilosa que apura o relacionamento financeiro entre o Banco Master e a Caixa Asset. As informações sobre o procedimento foram divulgadas em 16 de junho de 2026, em um relatório tornado público pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, e posteriormente veiculadas na coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.
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A situação gerou questionamentos sobre o andamento e a natureza dos procedimentos sigilosos nos quais o nome do empresário aparece como parte ou possível investigado.
A Investigação e o Acesso a Documentos Sigilosos
O cerne da apuração envolve o acesso a arquivos referentes ao caso Caixa Asset. Segundo o documento da Polícia Federal, os materiais foram acessados por uma servidora pública que trabalha na Procuradoria da República no Maranhão. Diante disso, a própria Polícia Federal solicitou esclarecimentos para determinar se o acesso ocorreu por meio de um ataque hacker ou se foi uma liberação legítima por parte da funcionária.
Antes mesmo da notificação formal sobre a investigação, em 18 de junho de 2024, Mourão havia solicitado ao empresário a confirmação de uma lista de indivíduos cujos processos sigilosos precisavam ser monitorados. Essa lista incluía o empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do fundador; o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro; e Nelson Tanure, que foi apontado pela PF como um potencial “sócio oculto” do Banco Master.
Quando questionado sobre a abrangência da busca, o empresário respondeu que todos os nomes deveriam ser incluídos.
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O inquérito em questão foi instaurado e, até o momento, tramita sob sigilo na Justiça Federal do Distrito Federal. A complexidade do caso é reforçada pelo fato de que, após a abertura do procedimento no Ministério Público Federal no Distrito Federal, em 30 de julho, Mourão comunicou que haveria atualizações no sistema da Caixa, levantando a possibilidade de que a notícia de fato pudesse evoluir para um inquérito policial formal.
Controvérsias no Setor Financeiro e Desligamentos na Caixa
A tensão investigativa não se limitou aos documentos sigilosos. Em um evento anterior, em 8 de julho de 2024, dois gerentes da Caixa Econômica Federal foram destituídos. A demissão ocorreu após os profissionais se manifestarem contra a compra de um lote de R$ 500 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
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Os gerentes em questão faziam parte da área de renda fixa da Caixa Asset, o braço de gestão de ativos do banco estatal. Eles classificaram a operação como “atípica” e de “alto risco” para os padrões da instituição de fomento. A principal preocupação levantada foi o alto valor envolvido e o modelo de negócios do Banco Master, que foi descrito como de “difícil compreensão” e com significativo “risco de solvência”.
Na época, a própria Caixa Asset emitiu uma nota oficial, esclarecendo que as operações em negociação são mantidas em sigilo e seguem a estratégia da empresa. A instituição também enfatizou que a substituição de gestores ocorre por critérios estritamente profissionais, sem que haja qualquer tipo de retaliação ligada à política interna da empresa.
O desenrolar dos fatos, que envolve desde a gestão de ativos em risco até o acesso a dados sensíveis em âmbito federal, mantém o caso sob intensa vigilância legal e midiática.
A apuração da Polícia Federal busca determinar a origem do acesso aos arquivos e o impacto das movimentações financeiras do Banco Master na estabilidade do sistema financeiro.
Autor(a):
Marcos Oliveira
Marcos Oliveira é um veterano na cobertura política, com mais de 15 anos de atuação em veículos renomados. Formado pela Universidade de Brasília, ele se especializou em análise política e jornalismo investigativo. Marcos é reconhecido por suas reportagens incisivas e comprometidas com a verdade.



