Banco Central do Brasil reduz taxa Selic em 0,25 ponto percentual para 14,25% ao ano

A redução da Selic para 14,25% ao ano reflete a expectativa do mercado por novas quedas, mas a alta dos juros ainda gera incertezas na economia brasileira

20/06/2026 06:36

3 min

Selic está a 14,50% ao ano com último corte de juros do Banco Central
Selic está a 14,50% ao ano com último corte de juros do Banco Ce...

O Banco Central do Brasil anunciou, na quarta-feira, 17 de agosto de 2026, uma redução da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, estabelecendo o novo patamar em 14,25% ao ano. A decisão estava em linha com as previsões do mercado e suscitou discussões sobre os próximos movimentos da política monetária no país.

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Expectativas do Mercado para a Selic

Fernando Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, destacou que a decisão era aguardada, embora não houvesse consenso total sobre seu resultado. O Itaú projeta que a Selic encerre o ano em 13,75%, o que implicaria mais duas reduções de 0,25 ponto percentual. “Acreditamos que na próxima reunião haverá uma probabilidade maior de um novo corte”, comentou Gonçalves, ressaltando que essa trajetória será reavaliada à medida que novas informações forem divulgadas.

Para ele, o aspecto mais significativo para a economia real não é apenas a diferença entre uma Selic de 13,75% e 14%, mas sim a constatação de que as taxas permanecem elevadas por um longo período. “É crucial entender por que os juros estão estabilizados em um nível tão alto”, afirmou.

Ele atribui essa situação à divergência entre as políticas fiscal e monetária: “Esse descompasso tem muito a ver com uma política fiscal que caminha em uma direção enquanto a monetária segue outra.”

Análise do Comunicado do Copom

Gonçalves também mencionou que havia incertezas quanto ao futuro das decisões do Banco Central. O comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) trouxe elementos contraditórios. Por um lado, foram apresentados dados considerados rigorosos, como a aceleração da atividade econômica e a revisão da projeção de inflação de 3,5% para 3,7%.

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Além disso, riscos altistas foram adicionados ao balanço de riscos, incluindo os efeitos da alta dos preços do petróleo e estímulos à demanda.

No entanto, o texto também sugeriu que as projeções de inflação poderiam ficar abaixo da meta na próxima reunião, com o horizonte relevante sendo prorrogado do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Isso poderia abrir espaço para novos cortes na taxa.

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Gonçalves ressaltou ainda uma passagem do comunicado que levantou dúvidas sobre uma possível alteração na abordagem do comitê em relação à economia: “O comitê mencionou que esta decisão seria compatível com uma suavização nas variações dos agregados macroeconômicos.”

Ainda segundo ele, não ficou claro se o Banco Central estaria considerando dar mais peso a indicadores como crescimento econômico e PIB além da inflação nas suas decisões futuras. “Essa questão deve ser esclarecida na ata do Copom”, avaliou Gonçalves, destacando a importância desse documento programado para ser divulgado na semana seguinte.

Cenário Externo e Influências

O cenário internacional também foi abordado por Gonçalves como um fator relevante a ser observado. Ele apontou que o preço do petróleo caiu para seu menor nível desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, o que pode trazer um alívio inflacionário externo.

No entanto, ele alertou que a incerteza ainda é alta e que medidas cautelosas como o corte recente são coerentes nesse contexto nebuloso. “Quando há alta incerteza no cenário econômico, é natural adotar passos pequenos e evitar garantir compromissos futuros”, explicou.

Outro ponto importante foi a política monetária dos Estados Unidos anunciada no mesmo dia. O Federal Reserve optou por manter os juros americanos inalterados, mas indicou uma postura mais rígida frente à inflação, com muitos membros prevendo pelo menos duas altas ao longo do ano.

Essa diferença entre as trajetórias das taxas de juros no Brasil e nos EUA levanta questionamentos sobre até onde o Banco Central brasileiro poderá avançar nas reduções.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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