Banco Central Aumenta Selic em 0,25% e Montalvão Alerta sobre Rentismo

Banco Central eleva Selic em 0,25% e Iago Montalvão alerta para riscos do rentismo financeiro, impactando investimentos

19/06/2026 22:21

3 min

Banco Central do Brasil
Banco Central do Brasil

O pesquisador Iago Montalvão, doutorando em Economia na Unicamp e especialista do Transforma-Unicamp, alertou sobre os desafios persistentes da economia brasileira após a recente redução de 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic. Montalvão enfatizou que, apesar da diminuição, o indicador permanece em patamares elevados quando comparado a outros países.

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Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, ele detalhou que, embora a queda na Selic abra espaço para o investimento e a atividade produtiva, o principal ponto de preocupação reside na interrupção de um ciclo de cortes, um cenário que exige cautela por parte do Banco Central.

Selic e o Debate sobre o Rentismo Financeiro

Segundo o economista, a taxa de juros do Brasil ainda se posiciona entre as mais altas do mundo em termos reais, superando até mesmo economias como Rússia e Turquia, que estão logo atrás na sequência de juros reais. Montalvão expressou preocupação não apenas com o valor da redução, mas com o tom mais cauteloso adotado pelo Banco Central, uma postura que ele atribui, em parte, ao impacto de conflitos geopolíticos e à volatilidade no preço do petróleo.

O especialista discorda veementemente das críticas que minimizam o impacto da redução da taxa Selic. Para ele, focar apenas no tamanho do corte é um equívoco que, na prática, serve para manter os interesses do chamado “rentismo financeiro” no país.

Ele argumentou que cada ponto percentual de queda na Selic aumenta o rendimento dos títulos indexados a ela, o que acaba por transferir uma parcela significativa de renda diretamente para os investidores financeiros.

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Em relação à inflação, Montalvão acredita que a tendência de queda de preços é possível, especialmente com o fim dos conflitos no Oriente Médio, como o caso do Irã. Contudo, ele ressaltou que este processo de recomposição de preços mais baixos será gradual e desafiador, exigindo tempo para que as pressões inflacionárias se dissipem completamente no mercado.

Desvinculação da Política Monetária e Autonomia do BC

Além dos aspectos macroeconômicos, o economista fez uma crítica contundente à relação entre o Banco Central e o mercado financeiro. Montalvão apontou que essa ligação tende a desvincular a política monetária de uma política de Estado mais ampla, favorecendo o que o meio econômico denomina “porta giratória”.

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Ele questionou a natureza da autonomia do Banco Central, perguntando “autonomia de quem e para quem?”. Segundo sua análise, o BC corre o risco de ser influenciado por interesses privados, em vez de estar estritamente ligado às decisões políticas democraticamente eleitas.

Essa proximidade com o setor financeiro é vista como um vetor de pressão sobre o Comitê de Política Monetária (Copom) e toda a estrutura decisória.

Montalvão detalhou o risco da “porta giratória”, descrevendo um cenário onde grandes líderes de bancos privados ingressam no Banco Central, ocupando posições de poder, especialmente em governos alinhados ao neoliberalismo. Após exercerem influência na política monetária nacional, esses profissionais teriam o caminho aberto para retornar ao setor bancário privado, configurando um ciclo de influência mútua.

Em um ponto positivo, o economista elogiou a gestão governamental brasileira na condução do aumento de preços de combustíveis. Montalvão destacou que, comparado à média global, o Brasil conseguiu manter uma situação mais estável, devido à atuação da Petrobras e à implementação de uma política soberana de preços, que inclui medidas de subvenção e isenção fiscal, mitigando o impacto internacional.

A análise de Iago Montalvão serve como um alerta sobre a necessidade de equilibrar a política monetária com a estabilidade do Estado, garantindo que os interesses públicos prevaleçam sobre as pressões do setor financeiro.

Autor(a):

Ambientalista desde sempre, Bianca Lemos se dedica a reportagens que inspiram mudanças e conscientizam sobre as questões ambientais. Com uma abordagem sensível e dados bem fundamentados, seus textos chamam a atenção para a urgência do cuidado com o planeta.

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