AtlasIntel responde a críticas do PL e defende metodologia de pesquisa eleitoral em meio a polêmica

AtlasIntel defende metodologia de pesquisa após questionamentos do PL
A AtlasIntel esclareceu que o teste de áudio presente no levantamento eleitoral divulgado nesta terça-feira (19) foi realizado apenas após a conclusão do questionário principal, sem a possibilidade de modificar as respostas já fornecidas. O procedimento foi alvo de críticas por parte do partido do senador Flávio Bolsonaro, o PL, que recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) após um pré-candidato à Presidência registrar uma queda de seis pontos percentuais.
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A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg sugere cenários para um possível segundo turno nas eleições presidenciais.
Yuri Sanches, responsável pela Análise Política da AtlasIntel, explicou que os participantes respondem inicialmente a perguntas sobre a aprovação do governo, a imagem de políticos, cenários eleitorais e índices de rejeição. Somente após enviar o formulário, eles são direcionados para uma nova interface, onde podem ouvir um áudio e registrar suas reações em tempo real. “As perguntas são feitas na mesma ordem que aparecem no TSE, mas o questionário da pesquisa é apresentado de forma separada do teste de áudio”, detalhou Sanches em entrevista à CNN Brasil.
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Reação do PL e alegações sobre a pesquisa
Após a divulgação do levantamento, o PL solicitou a suspensão da pesquisa, alegando que a metodologia utilizada não atende às normas eleitorais. O partido argumenta que o questionário cria um contexto que pode gerar “manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo”, o que comprometeria a função informativa da pesquisa eleitoral.
Yuri Sanches defendeu a transparência do instituto, afirmando que a metodologia segue rigorosamente as exigências do TSE. O PL, por sua vez, alega que a pesquisa forçou os entrevistados a ouvir um áudio relacionado a Flávio Bolsonaro antes de responder sobre sua candidatura e imagem política, caracterizando isso como um “estímulo” que poderia induzir reações negativas.
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Funcionamento do teste de áudio
Conforme Sanches, após finalizar o questionário, o entrevistado é convidado a participar de uma etapa opcional chamada Atlas VRC. Nessa fase, o participante ouve o áudio e utiliza uma escala para indicar, em tempo real, se está gostando ou rejeitando o conteúdo. “Na ferramenta VRC, o respondente pode ouvir o áudio enquanto movimenta o dedo sobre uma escala, arrastando para a direita se estiver gostando e para a esquerda se não estiver”, explicou.
Essa tecnologia permite registrar a reação de uma amostra representativa da população a conteúdos audiovisuais, com ajustes estatísticos para refletir o perfil do eleitorado brasileiro. “A amostra é calibrada por gênero, idade e outras demografias-chave para garantir que seja robusta e representativa”, concluiu Sanches.
Recrutamento e segurança dos participantes
Yuri também detalhou que os entrevistados são recrutados por meio de anúncios exibidos aleatoriamente durante a navegação na internet. Aqueles que visualizam os banners podem optar por participar da pesquisa de forma voluntária. “A ideia é atrair uma amostra a mais aleatória possível, sem focar em gênero ou idade”, afirmou.
Após a coleta, a empresa aplica um algoritmo de pós-estratificação que atribui pesos estatísticos para que a amostra reflita as características demográficas do eleitorado. O diretor da AtlasIntel ressaltou que o tamanho da amostra impacta diretamente a margem de erro: quanto maior o número de entrevistas, menor a variação estatística.
Para garantir a integridade da pesquisa, cada participante recebe um token único, evitando que uma mesma pessoa responda mais de uma vez. Links compartilhados ou tentativas de reutilização são bloqueados ou descartados, assegurando a confiabilidade dos dados coletados.
Autor(a):
Ana Carolina Braga
Ana Carolina é engenheira de software e jornalista especializada em tecnologia. Ela traduz conceitos complexos em conteúdos acessíveis e instigantes. Ana também cobre tendências em startups, inteligência artificial e segurança cibernética, unindo seu amor pela escrita e pelo mundo digital.



