Atafona tem trechos onde o mar avança mais de 5 metros por ano e destrói casas

Estudo autorizado em 2026 investigará como a dinâmica do Rio Paraíba do Sul, obras e correntes intensificam a erosão que ameaça famílias.

06/09/2026 06:20

3 min

Praia de Atafona, no interior do Rio de Janeiro, está sendo ‘engolida’ pelo mar
Praia de Atafona, no interior do Rio de Janeiro, está sendo ‘eng...

Na faixa litorânea de Atafona, distrito de São João da Barra no Rio de Janeiro, casas destruídas pelo avanço do mar deixaram paredes rachadas, fundações expostas e ruínas sobre a areia. Em 2026, o município autorizou um estudo científico para analisar a erosão, que supera cinco metros anuais em alguns trechos.

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O recuo da costa ocorre há décadas e resulta da combinação entre a dinâmica natural e alterações humanas no transporte de sedimentos. Na foz do Rio Paraíba do Sul, ondas, correntes marinhas e vento reorganizam continuamente a linha de praia e afetam áreas urbanizadas.

Por que o mar avança sobre Atafona

A erosão costeira atinge a faixa construída de Atafona desde meados do século 20. O processo retira areia da praia de forma contínua, enquanto mudanças no canal do Rio Paraíba do Sul intensificam a perda de sedimentos, segundo relatório técnico municipal.

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A construção de barragens e a extração de areia também alteram esse transporte. O Serviço Geológico do Brasil descreve a região como um ambiente de delta moldado por ondas e antigas linhas de praia.

Parte do material erodido em Atafona segue para a Praia de Grussaí. Na prática, a areia desaparece de um trecho e reaparece em outro, revelando como a dinâmica do rio e do oceano interfere diretamente na costa ocupada.

Recuo extremo ameaça casas e famílias

Taxas acima de cinco metros por ano são classificadas como erosão extrema. Em palestra registrada pela Câmara Municipal de São João da Barra, o geólogo Eduardo Bulhões afirmou que essa velocidade é registrada em trechos específicos do distrito.

O processo é considerado crônico porque persiste ao longo do tempo, sem indício científico de uma interrupção natural. A intensidade varia entre diferentes áreas da praia e também ao longo do ano, conforme registros geológicos oficiais.

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Estudos apontam uma relação entre a vazão do Paraíba do Sul e o comportamento da costa. Quando a vazão máxima do rio diminui, a erosão tende a se intensificar no ano seguinte. A taxa não se repete de maneira uniforme em toda a extensão, mas pode levar o avanço do mar a áreas urbanizadas em poucos anos.

As ruínas na praia de Atafona mostram o impacto sobre o patrimônio construído. Construções perderam paredes, fundações ficaram expostas e terrenos desapareceram sob as ondas. Decreto municipal de 2023 registra famílias que viviam em áreas afetadas e tiveram as residências interditadas pela Defesa Civil.

Estudo autorizado em 2026 busca alternativas

O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), autorizado em 2026, deverá aprofundar a análise da dinâmica costeira e comparar medidas de mitigação e adaptação. O Diário Oficial informou em março de 2026 que a avaliação envolveria fatores oceanográficos, climáticos e hidrossedimentológicos.

O trabalho terá como foco áreas urbanas, equipamentos públicos e populações vulneráveis. Em 10 de julho de 2026, a Prefeitura de São João da Barra informou a assinatura da ordem de serviço para o início do estudo.

O Portal oficial indicou prazo médio de 30 dias para a apresentação do Plano de Trabalho, que deverá organizar etapas, métodos e cronograma. A contratação passou por planejamento, financiamento e licitação em anos anteriores, conforme registros municipais de 2024, 2025 e 2026.

A avaliação deverá esclarecer como ondas, sedimentos e condições hidrossedimentológicas moldam o recuo da costa. Também terá de comparar alternativas estruturais e não estruturais, estimar os custos e benefícios de cada medida e analisar possíveis impactos sobre ecossistemas costeiros e deltaicos.

Em julho de 2026, o portal municipal registrou ainda uma ação emergencial no Pontal de Atafona para conter o avanço da água provocado por ressaca associada à maré. O estudo não encerra o problema, mas cria uma base técnica para orientar decisões sobre moradia, planejamento urbano e proteção da população.

Autor(a):

Ex-jogador de futebol profissional, Pedro Santana trocou os campos pela redação. Hoje, ele escreve análises detalhadas e bastidores de esportes, com um olhar único de quem já viveu o outro lado. Seus textos envolvem os leitores e criam discussões apaixonadas entre fãs.

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