Quem foi Nancy Grace Roman, astrônoma que dá nome ao novo telescópio espacial da Nasa

O legado de Nancy Grace Roman inclui a articulação política e científica que viabilizou o Hubble e a abertura de espaço para mulheres na astronomia.

04/09/2026 02:21

3 min

DraNancyGraceRoman
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O novo telescópio espacial Nancy Grace Roman foi lançado ao espaço no último domingo, dia 30. O equipamento recebeu esse nome em homenagem à astrônoma que ocupou o primeiro posto de chefia da astronomia na Nasa e comandou o projeto do telescópio espacial Hubble, lançado em 1990.

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Conhecida como “Mãe do Hubble”, Nancy Grace Roman abriu espaço para mulheres na ciência e enfrentou a desigualdade em um ambiente dominado por homens. Ela morreu em 2018, aos 93 anos, mas deixou um legado que agora também está ligado à exploração do espaço.

Formação e trajetória de Nancy Grace Roman

Natural de Nashville, no estado americano do Tennessee, Nancy Grace Roman era filha de uma professora de música e de um pai matemático e físico. O interesse pela astronomia surgiu ainda no ginásio, e a cientista se formou na área em 1946 pelo Swarthmore College na Pensilvânia.

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Três anos depois, ela obteve o doutorado pela Universidade de Chicago e concluiu a pós – graduação no Observatório Yerkes, ligado à mesma faculdade. Mais tarde, participou do lançamento do Observatório Aéreo Kuiper, que trabalhava com comprimentos de onda infravermelhos, ligeiramente mais longos do que a luz vermelha visível e detectável.

Na NASA, Roman foi a primeira mulher a ocupar um cargo executivo. Como chefe de Astronomia da agência espacial, mobilizou a comunidade científica e articulou apoio político e financeiro para viabilizar o projeto do Hubble durante a década de 1960.

Pesquisas e avanços na astronomia

Roman estudou a composição das estrelas e produziu descobertas relacionadas à evolução da Via Láctea. Ela identificou que os elementos químicos pesados, mais densos que o hélio, estavam conectados à velocidade e ao direcionamento das estrelas.

A pesquisa resultou na criação de um modelo matemático para analisar o nascimento de astros formados em uma mesma nebulosa.

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O mapeamento estrelar feito pela astrônoma mostrou que corpos celestes localizados em uma mesma área não necessariamente tinham a mesma idade. Esse trabalho ajudou os cientistas a compreender melhor a estruturação da nossa galáxia.

No Laboratório de Pesquisa Naval, em Washington, ela utilizou ondas de rádio para aumentar a precisão das métricas de distância entre a Terra e a Lua. As mesmas ondas também foram usadas para mapear grandes seções da Via Láctea.

O telescópio Nancy Grace Roman foi projetado para oferecer uma visão panorâmica do espaço e conta com visão infravermelha. A tecnologia deverá auxiliar a investigação de matéria, energia escura e exoplanetas, cobrindo áreas muito mais extensas do que as observadas pelos telescópios Hubble e Webb.

O equipamento tem 18 sensores de pixel, com dimensões maiores do que as do Hubble, que possui 2 sensores, e do Webb, com 8 no total. A previsão é que o Roman registre 1.375 terabites de dados por dia, incluindo cerca de 80 mil explosões estrelares, planetas fora do Sistema Solar e buracos negros, além de bilhões de astros e galáxias.

Roman também denunciou a diferença salarial que enfrentava: afirmou publicamente que recebia 60% do salário pago aos colegas homens. A atuação dela contra o preconceito e em defesa das mulheres na ciência permanece associada às novas observações que o telescópio deverá fazer.

Fluente em quatro idiomas e com experiência em coberturas internacionais, Ricardo Tavares explora o impacto global dos principais acontecimentos. Ele já reportou diretamente de zonas de conflito e acompanha as relações diplomáticas de perto.

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