Astrônomos registram explosão de estrela gigantesca e revelam detalhes inéditos sobre supernova

A descoberta oferece novas perspectivas sobre a evolução estelar e a dinâmica das supernovas, ampliando o entendimento sobre esses fenômenos cósmicos.

Série de imagens mostra a evolução da supernova SN 2026gzf detectada pela primeira vez pela sonda Einstein Probe em 21 de março de 2026 NSF

A morte explosiva de uma estrela gigantesca foi observada em detalhes pelos astrônomos, que conseguiram novas informações sobre esses eventos violentos. As observações começaram em março, quando o telescópio espacial chinês Einstein Probe registrou um brilho momentâneo de raios X, resultado de uma onda de choque provocada pela explosão no núcleo da estrela em colapso.

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Esse fenômeno, conhecido como “shock breakout”, é considerado comum em supernovas, mas sua detecção é desafiadora devido à brevidade do evento. Essa foi a primeira vez que esse tipo de explosão foi observado desde 2008. “É preciso um pouco de sorte para captá – lo em tempo real”, explicou Brendan OConnor, pós – doutorando na Universidade Carnegie Mellon e autor principal de um dos dois artigos publicados na revista Astrophysical Journal Letters.

Detalhes das Observações

O’Connor também mencionou que “a onda de choque age como um radar — ao atravessar as camadas externas da estrela e qualquer material nas proximidades, deixa uma marca no sinal detectado nos raios X”. Essa informação permite aos cientistas obter uma visão mais próxima da estrela prestes a entrar em colapso.

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Jillian Rastinejad, astrônoma da NASA na Universidade de Maryland e autora do outro estudo, complementou dizendo que a equipe rapidamente mobilizou um conjunto de telescópios, incluindo o Observatório de Raios X Chandra e várias instalações terrestres.

As observações se estenderam por quase três meses até que a supernova ficasse oculta atrás do Sol.

A estrela estava situada a aproximadamente 500 milhões de anos – luz da Terra, em uma galáxia relativamente próxima. Para referência, um ano – luz corresponde à distância que a luz percorre em um ano, equivalente a cerca de 9,5 trilhões de quilômetros.

Antes da explosão, estima – se que a estrela tivesse cerca de 30 vezes mais massa que o Sol, colocando – a entre as mais massivas conhecidas — provavelmente maior que Betelgeuse.

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Características da Supernova

Acredita – se que a explosão resultou na formação de um buraco negro, objeto com gravidade tão intensa que nem mesmo a luz consegue escapar dele. Antes do colapso, essa estrela era classificada como Wolf – Rayet, um tipo raro e colossal que havia perdido suas camadas externas devido a ventos estelares poderosos.

A supernova foi classificada como do “tipo Ic de linhas largas”, envolvendo uma estrela com camadas externas removidas e material expelido pela explosão se movendo a mais de 10% da velocidade da luz.

Embora tenha apresentado características típicas associadas a explosões estelares intensas frequentemente ligadas aos surtos de raios gama — uma forma altamente energética da radiação — neste caso específico não foram encontradas evidências desse fenômeno.

OConnor ressaltou que uma das questões ainda sem resposta é por que algumas estrelas massivas em colapso lançam jatos de material próximos à velocidade da luz e produzem explosões de raios gama enquanto outras não fazem isso.

Essa nova descoberta representa a primeira supernova desse tipo observada sem uma explosão de raios gama ou jato material associado. Rastinejad afirmou: “A descoberta mostra que as estrelas mais massivas morrem de maneiras mais diversas do que os astrônomos imaginavam anteriormente.”