Asteroide que colidiu com a Terra há 66 milhões de anos impactou até a Antártica
A pesquisa revela que os efeitos da colisão do asteroide há 66 milhões de anos se estenderam até a Antártica, afetando ecossistemas em alta latitude.
Um estudo recente revelou que o asteroide que colidiu com a Terra há cerca de 66 milhões de anos, na região do Golfo do México, impactou diretamente até mesmo a Antártica, localizada a quase 12 mil km de distância. A pesquisa contou com a colaboração do brasileiro Marcelo Carvalho, pesquisador do Museu Nacional, e demonstrou que os efeitos da extinção em massa foram sentidos em áreas de alta latitude.
A pesquisa associou a extinção em massa ao impacto do asteroide, especialmente após a identificação da cratera de Chicxulub. O artigo publicado na revista Nature destaca que a energia liberada nesse evento foi equivalente a vários milhões de megatons de TNT.
Os pesquisadores observaram que, além da liberação de poeira e vapor d’água, houve uma significativa emissão de gases na atmosfera.
Efeitos e Extinções Causadas pelo Impacto
O estudo aponta que mais de 75% das espécies da Terra foram extintas devido aos efeitos diretos do impacto e às mudanças ambientais subsequentes. Essa catástrofe resultou no colapso dos ecossistemas terrestres, levando ao desaparecimento de até 57% das espécies vegetais.
Além disso, a destruição global das florestas gerou grandes quantidades de matéria orgânica em decomposição, favorecendo o crescimento de fungos.
Após essa devastação inicial, as samambaias surgiram como as primeiras plantas a colonizar os ambientes afetados pela colisão.
“Nossos estudos identificaram sinais dessa crise global tanto no Nordeste brasileiro quanto na Patagônia chilena e na Antártica”, afirmou Marcelo Carvalho. Ele enfatizou que a pesquisa revela como as consequências do fenômeno se estenderam por diversas regiões do planeta.
Leia também
Descobertas sobre o Irídio
O estudo também destacou o papel do irídio, um elemento raro na crosta terrestre, mas abundante em asteroides e meteoritos. Os cientistas encontraram um pico desse elemento nas seções estudadas, indicando sua associação com o impacto do asteroide.
Apesar da distância geográfica do local do impacto no atual México, os pesquisadores encontraram evidências semelhantes de perturbação nos ecossistemas. Isso reforça a ideia de que os efeitos desse evento catastrófico tiveram alcance global.
A pesquisa não apenas confirma o impacto devastador que causou uma crise biótica mundial mas também oferece novas perspectivas sobre como as diferentes regiões responderam à catástrofe. Assim, fica evidente que embora o fenômeno tenha ocorrido em um único ponto no planeta, suas consequências foram sentidas em todo o mundo.