ASCO 2026: Medicamento experimental pode dobrar sobrevida em câncer de pâncreas

Destaque do ASCO 2026: Avanços no Tratamento do Câncer de Pâncreas
O ASCO 2026, o maior congresso de oncologia do mundo, foi encerrado nesta terça-feira (2) em Chicago. Um dos principais destaques foi um medicamento experimental que promete revolucionar o tratamento do câncer de pâncreas, demonstrando a capacidade de quase dobrar o tempo de vida dos pacientes com a doença em estágio avançado.
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O estudo foi apresentado na sessão plenária do encontro anual da American Society of Clinical Oncology e envolveu um ensaio clínico de fase 3 que comparou o daraxonrasib com a quimioterapia convencional.
O ensaio clínico de fase 3, a etapa final de testes antes da aprovação regulatória, incluiu 500 pacientes diagnosticados com adenocarcinoma ductal pancreático metastático, um dos tipos de câncer mais letais. Esses pacientes já haviam recebido pelo menos uma linha de tratamento anterior.
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Os 248 pacientes que foram tratados com daraxonrasib apresentaram uma média de sobrevida de 13,2 meses, quase o dobro dos 6,7 meses observados no grupo que recebeu quimioterapia. Além disso, o daraxonrasib é administrado por via oral, ao contrário da terapia intravenosa, que requer visitas frequentes ao hospital.
Impacto e Mecanismo de Ação do Daraxonrasib
Para compreender a importância desses resultados, é essencial considerar a gravidade da doença: mais da metade dos pacientes diagnosticados com câncer de pâncreas morre em até três meses. O pâncreas, localizado profundamente no abdômen, é um órgão “silencioso”, onde os tumores crescem sem apresentar sintomas evidentes.
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Devido à falta de um rastreamento eficaz, as opções de tratamento são limitadas. Mais de 90% dos tumores pancreáticos apresentam alterações no gene KRAS, que regula o crescimento celular. Quando mutado, esse gene envia sinais contínuos para as células se multiplicarem.
Por muitos anos, o KRAS foi considerado um alvo “inalcançável” para medicamentos. No entanto, avanços na química nos últimos dez anos resultaram nos primeiros inibidores de proteínas da família RAS. Apesar disso, os medicamentos disponíveis até agora atuam apenas em mutações raras no câncer pancreático.
O daraxonrasib, por sua vez, é um inibidor multisseletivo de RAS(ON), atuando em várias formas mutadas diretamente na forma ativa, bloqueando a sinalização tumoral mesmo em pacientes com doença metastática resistente à quimioterapia.
Segurança e Próximos Passos
Além de sua eficácia, o estudo destacou a segurança do daraxonrasib. Quando comparado à quimioterapia padrão, o novo tratamento mostrou-se mais tolerável, com 43,6% dos pacientes apresentando eventos adversos graves, em comparação a 57,5% no grupo da quimioterapia.
A interrupção do tratamento devido a efeitos colaterais foi mínima: apenas 1,2% dos pacientes precisaram interromper o uso do daraxonrasib, em contraste com 11,2% na quimioterapia.
Os próximos passos incluem a submissão dos dados do estudo RASolute 302 à FDA, a agência regulatória americana, para avaliação e possível aprovação para uso clínico. Os pesquisadores também estão testando o fármaco em estágios iniciais do tratamento, em combinação com imunoterapia e em outros tipos de câncer com mutações em RAS, como câncer colorretal e de pulmão.
Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica, destacou que o daraxonrasib representa uma nova esperança para pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais, embora ainda não haja definições sobre sua disponibilidade no Brasil.
Ele recomenda cautela e não aconselha pacientes a buscar importações individuais ou alternativas fora dos protocolos de pesquisa.
Autor(a):
Gabriel Furtado
Gabriel é economista e jornalista, trazendo análises claras sobre mercados financeiros, empreendedorismo e políticas econômicas. Sua habilidade de prever tendências e explicar dados complexos o torna referência para quem busca entender o mundo dos negócios.



