Argentina anuncia acusações criminais contra Navitas Petroleum por operação nas Malvinas
A decisão de Javier Milei amplia a tensão com o Reino Unido antes de novas perfurações de petróleo previstas para os próximos meses.
O governo da Argentina informou nesta segunda – feira (07) que apresentará acusações criminais contra a empresa de energia Navitas Petroleum e seus executivos. A iniciativa está ligada à operação da companhia nas Ilhas Malvinas, território disputado pela Argentina e pelo Reino Unido.
A decisão foi anunciada depois de o presidente Javier Milei afirmar, na semana passada, que aplicaria sanções a empresas petrolíferas que fizessem perfurações no arquipélago. O movimento também ocorre após o presidente americano, Donald Trump, dizer que estava revendo a posição dos Estados Unidos sobre o território.
Argentina endurece posição sobre as Ilhas Malvinas
Aliado de Trump, Milei citou a possível mudança na postura dos Estados Unidos ao declarar que os “ventos de mudança” favoreciam a reivindicação argentina. Na ocasião, ele também disse que encaminharia ao Congresso um projeto de lei sobre as ilhas.
O Reino Unido controla as ilhas, que chama de Falkland desde 1833. Em reação às declarações argentinas, o ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, afirmou no X: “As ilhas são britânicas e permanecerão assim, pois essa é a posição esmagadora dos habitantes das ilhas”.
Na mesma mensagem, Ed Miliband acrescentou: “O direito deles à autodeterminação é primordial, fundamentado no direito internacional, e nós o defenderemos com determinação.” O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, disse que as palavras de Milei refletem “a política interna da Argentina”.
Perfurações de petróleo aumentam tensão diplomática
Milei já havia defendido a diplomacia como o caminho mais adequado para tentar recuperar a reivindicação da Argentina sobre as Malvinas. Com novas perfurações de petróleo previstas para os próximos meses e as menções frequentes de Trump às ilhas, porém, o presidente argentino passou a adotar um discurso mais duro.
Na semana passada, Trump declarou que não sabia se o Reino Unido teria disposição para lutar novamente pelas ilhas. “Simplesmente não sei se vocês têm capacidade para fazer isso”, afirmou o presidente americano.
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Trump também classificou a questão das Malvinas como “muito interessante” e relacionou a situação às mudanças no Reino Unido. “A questão das Malvinas é muito interessante porque o seu país não é mais o mesmo de 20 ou 25 anos atrás”, declarou.
Uma eventual alteração na posição dos Estados Unidos sobre as Malvinas apareceu entre as opções analisadas pelo Pentágono no início deste ano. As alternativas tinham como objetivo pressionar aliados da Otan que, na avaliação dos Estados Unidos, não apoiaram as operações militares americanas na guerra contra o Irã.