Mesmo apagado por erosão e outro vulcanismo, arco de 100 milhões de anos é achado no Irã

Cientistas encontraram vestígios de um sistema vulcânico com cerca de 100 milhões de anos no noroeste do Irã. A descoberta traz à tona um episódio até então desconhecido da atividade geológica da região e levanta novas pistas sobre o fim de um antigo oceano.
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O sistema, batizado de Arco Magmático Continental do Azerbaijão, esteve ativo entre 101 e 97 milhões de anos atrás, no período Cretáceo Superior.
As evidências ficaram escondidas por processos geológicos que vieram depois. O achado foi apresentado por uma equipe internacional liderada pela Universidade Técnica de Istambul, na Turquia, e publicado na revista científica Geoscience Frontiers.
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Como os pesquisadores chegaram ao sistema
A equipe analisou rochas vulcânicas e plutônicas recolhidas em diferentes pontos do noroeste iraniano. O foco foi a região próxima à Falha de Siah Cheshmeh-Khoy-Misho-Tabriz, uma estrutura geológica local.
Para descobrir a idade e a origem do material, os cientistas combinaram três técnicas: datação de cristais de zircão, análise de isótopos de háfnio e avaliação da composição química das amostras. Os dados apontaram para a formação de um arco magmático continental.
Esse tipo de estrutura nasce quando uma placa tectônica desce por baixo de outra, fenômeno chamado subducção. No movimento, o magma se forma e pode subir pela crosta continental, alimentando vulcões.
Por que o sistema ficou tanto tempo oculto
Diversas transformações da paisagem ao longo de milhões de anos apagaram o arco. Movimentos tectônicos deformaram as rochas, a erosão levou parte do material exposto e outros fragmentos foram cobertos por sedimentos.
Um episódio posterior de vulcanismo, ocorrido durante o Eoceno, também encobriu os registros mais antigos. Segundo Ali Mohammadi, pesquisador da Universidade Técnica de Istambul e autor correspondente do estudo, só a combinação de análises geológicas permitiu reconhecer a estrutura.
O que o achado diz sobre o Oceano Neo-Tétis
O sistema surgiu durante uma fase de mudanças no Oceano Neo-Tétis, que ficava entre antigas massas continentais. Esse oceano teve papel importante na evolução de áreas que hoje correspondem ao Mediterrâneo Oriental, ao Oriente Médio e à Ásia Ocidental.
Com o passar de milhões de anos, o deslocamento das placas fechou suas bacias e reorganizou os continentes. O novo arco acrescenta provas de como esses processos se deram no noroeste do Irã, e os autores aventam que a Falha de Siah Cheshmeh-Khoy-Misho-Tabriz possa ter funcionado como limite tectônico ligado ao antigo oceano.
Mudanças na subducção podem explicar a origem
De acordo com o estudo, a formação do arco pode ter relação com alterações no modo como as placas mergulhavam. Uma hipótese é o recuo da placa em subducção, quando o ponto de mergulho se desloca conforme a placa afunda no manto terrestre.
Esse deslocamento pode levar os arcos vulcânicos a migrar para outras áreas, o que, segundo os pesquisadores, ajudaria a entender por que o sistema funcionou por um intervalo relativamente curto, entre 101 e 97 milhões de anos atrás. Até então, as reconstruções da região giravam em torno dos arcos de Sanandaj-Sirjan e Urumieh-Dokhtar.
Com uma terceira estrutura identificada, os cientistas poderão refinar os modelos sobre a evolução tectônica do noroeste do Irã e o desaparecimento do Oceano Neo-Tétis.
Editoria:
Redação Variedades
A Redação Variedades reúne a cobertura do Clique Fatos sobre horóscopo, comportamento e curiosidades. As matérias são produzidas com apoio de inteligência artificial a partir de agências e veículos citados no texto. Encontrou um erro? Escreva para [email protected].



